"Má sorte." Esta a resposta dada pelo professor Don Wolf quando questionado porque é que só ontem foi possível divulgar uma proeza científica notável, tão ansiada quanto temida: a clonagem de embriões de primatas, no caso macacos rhesus, sem que daí, no entanto, tenha resultado um clone (ao contrário do que sucedeu com a ovelha Dolly, que viveu entre 5/7/1996 e 14/2/2003). "É possível que até agora tenhamos tido má sorte", que até agora não tenham sido implantados os embriões clonados "no animal e no momento precisos", disse Wolf aos jornalistas..Valeu a espera, porque a equipa liderada pelo russo Shoukhrat Mitalipov não criou apenas um ou dois embriões, antes dezenas deles, como revelou o jornal britânico The Independent - uma investigação que será escalpelizada na Nature. Falta esperar por uma gravidez bem sucedida..Antes de entrarmos na polémica sobre a clonagem humana propriamente dita - para os detractores, o próximo e inevitável passo seguinte a dar -, importa referir que foi utilizado um macaco adulto, macho de dez anos. A equipa de cientistas, plurinacional (americanos, chineses, russos, australianos), logrou, pela primeira vez, abrir caminho à clonagem de primatas, depois do nascimento de Dolly e de outros animais, entre os quais os inevitáveis ratos. E, também, porcos, gatos, vacas e cães..E transformar células em embriões humanos? Porque não?, espantam-se os cientistas. "Alguns pensavam que seria muito difícil com macacos - e humanos -, mas quem trabalhava com animais, como ovelhas e bovinos , sabia que as hipóteses de êxito seriam similares", resumiu Alan Trounson..Está aberta a caixa de Pandora ou passada a Taprobana?|