Cidade de Granada abre "Ano Lorca" com receção do acervo nos 120 anos do poeta

Granada vai fazer coincidir a chegada do acervo de Garcia Lorca, durante o primeiro semestre, com as comemorações do "Ano Lorca", que assinalam o 120.º aniversário do nascimento do poeta e dramaturgo e o centenário da sua primeira obra.
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Para o presidente da Câmara de Granada, Francisco Cuenca, que apresentou o programa das comemorações em conferência de imprensa, a iniciativa procura saldar também a "dívida" de Granada para com Federico Garcia Lorca (1898-1936), e dar-lhe o reconhecimento que merece, como fez Málaga com Picasso e Sevilha com Murillo.

São duas as efemérides ligadas do autor de "Yerma" e "Bodas de Sangue", que se comemoram este ano e que configuram o "Ano Lorca" - o 120.º aniversário do seu nascimento e o centenário da publicação da sua primeira obra, "Impressões e paisagens" -, e cada uma delas terá associado um conjunto de atividades culturais.

Tudo isto coincide com a chegada do legado do escritor do "Poema del cante jondo" ao Centro Lorca, em Granada, que está prevista ser feita em duas fases, uma vez que a negociação para a sua transferência para a cidade foi desbloqueada.

A primeira parte do acervo chegará entre os próximos meses de fevereiro e março, e será composta pelos manuscritos, fotos e objetos que integram a exposição "Uma habitação própria", que atualmente está em exibição na Residência de Estudantes de Madrid, e que, nessa data, viajará para Granada, onde vai ficar.

De acordo com o previsto, o restante património de Lorca chegará antes do final do primeiro semestre deste ano, recordou o responsável, especificando que os trabalhos serão acompanhados por uma comissão composta por técnicos e representantes do Ministério da Cultura, da Assembleia Municipal, da Câmara Municipal e da Fundação Lorca.

A programação associada ao 120.º aniversário do seu nascimento inclui a rota 'lorquiana' elaborada pela autarquia local, para que a cidade ofereça 14 lugares associados à vida e obra do poeta.

É o caso da Huerta de San Vicente, casa de verão da família Lorca, entre 1926 e 1936, a imprensa da rua Mesones, onde se encontrava a casa editorial Ventura Traveset, que publicou o primeiro livro do poeta, em 1918, ou a Acera del Casino, onde se situava a segunda residência da família, junto à Porta Real de Granada.

Da rota faz igualmente parte a casa da família do poeta Luis Rosales, onde Lorca se refugiara, com a chegada das tropas nacionalistas a Granada, nas primeiras semanas da Guerra Civil de Espanha (1936-1939).

Lorca foi preso neste local, em 16 de agosto de 1936, tendo sido morto, na madrugada do dia seguinte, fuzilado pelas tropas nacionalistas do ditador Francisco Franco.

No âmbito do "Ano Lorca", a Feira do Livro de Granada, que se realiza em abril, vai dedicar um espaço próprio ao poeta e dramaturgo, autor de "Romancero Gitano", "Poeta em Nova Iorque" e de "A Casa de Bernarda Alba".

Relativamente às atividades em torno do centenário da publicação da sua primeira obra, "Impressões e Paisagens" ("Impresiones y paisajes"), está prevista a reedição do livro, cuja capa original é da autoria de Ismael de la Serna, uma exposição sobre esta publicação e sobre como Granada influenciou o poeta.

Será também estreado um documentário de José Sánchez Montes sobre o criador de "Mariana Pineda", "A sapateira prodigiosa", do "Canto a Ignacio Sánchez Mejías" e dos "Sonetos do Amor Obscuro".

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