Chorar de alegria na luz

São benfiquistas ferrenhos desde crianças. As caras conhecidas do canal da Luz contam como viveram o dia em que (mais) choraram pelo clube.
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Oque os une é a cor. Vestem a camisola encarnada desde crianças e sofrem com o nervosismo dos jogos. Na semana do primeiro aniversário das emissões regulares da Benfica TV, algumas das caras conhecidas do canal da Luz falam sobre o dia em que (mais) choraram pelo seu clube.
João Malheiro, benfiquista ferrenho e apresentador do único concurso do canal, O Maior Benfiquista, relembrou o jogo a que assistiu com maior emoção. "No início dos anos de 1980, lembro-me da final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto, no qual o Benfica triunfou por 1-0, golo de Carlos Manuel", revelou. Malheiro relembra a "birra" que os dragões fizeram para que o jogo se realizasse nas Antas, sabendo-lhe a vitória ainda melhor. "Estava com um grupo de benfiquistas de Vila do Conde, onde nasci, e foi uma enorme satisfação", disse à Notícias TV. Apresentar o concurso da Benfica TV pelo qual dá a cara tem sido "fantástico".
Lúcia Garcia, modelo e estreante nas lides do jornalismo, é desde o Verão um dos reforços do canal benfiquista no papel de repórter. À Notícias TV revelou que o dia em que mais se emocionou foi aquele da goleada do clube da Luz contra o Vitória de Setúbal (8-1). A manequim brinca com a situação, dizendo: "Desde que estou a trabalhar na Benfica TV e a assistir aos jogos, o Benfica começou a ganhar." Vitórias à parte, Lúcia confessa que costuma arrepiar-se quando soltam a águia no estádio, sendo este "um dos melhores momentos do jogo."
Já Quimbé, que tem a seu cargo os programas Canela até ao Pescoço e Os Gloriosos, aponta a inauguração do renovado Estádio da Luz, em 2003, como o dia mais emocionante que viveu enquanto adepto fervoroso. "Não consigo descrever o ambiente no estádio, é algo que só se sente", diz o apresentador. "Fui ver o jogo de inauguração com os Anjos, entre outros amigos. Isto não é um clube, é uma família", remata.
Raquel Strada desenvolveu cedo a devoção ao Benfica, passada pelo pai. A primeira vez que foi ao estádio, com 5 anos, chorou. "Fiquei muito admirada. Não percebia a dimensão do futebol", contou a jovem ex-apresentadora da Liga das Mulheres. António Veloso e Rui Águas eram os seus atletas preferidos.

Ricardo palacin Director da Benfica TV: "Canal na zon vai chegar a bom porto"

O homem forte do canal diz não haver prejuízo no primeiro ano. E até critica Pedro Boucherie Mendes, seu substituto na SIC. Por Nuno Cardoso

Em Outubro de 2008, a Benfica TV fez uma transmissão experimental no jogo Benfica-Nápoles. O resultado ficou 2-0 para a Luz. E o resultado para o canal?
Muito bom. Foi o dia mais feliz que vivi enquanto director deste canal. Estava mais confiante do que nervoso. Lembro-me de que não havia teleponto, mas foram cinco horas de emissão em directo que correram lindamente. Até contámos com a ajuda de um helicóptero.
Ontem, a Benfica TV comemorou um ano de emissões. Qual é o balanço?
Altamente positivo. Olhando para trás, acho que começámos cedo de mais. No entanto, fomos identificando e remendando os erros ao longo do tempo. Hoje, nota-se uma enorme evolução ao nível do grafismo, da grelha, dos directos...

O canal teve um custo operacional de 4,5 milhões de euros ao longo deste ano. Já há receita para cobrir este custo?
O primeiro ano terminou dentro do previsto, ou seja, não houve prejuízo. O Benfica enquanto clube não pode estar preocupado com a nossa sobrevivência. O canal paga-se a si mesmo.

A Benfica TV está actualmente no Meo e Cabovisão. Para quando na Zon?
As negociações estão a decorrer e deverão chegar a bom porto. A Zon chega ao milhão e meio de lares, bem diferente dos 550 mil do Meo. A transmissão na Zon vai gerar ainda mais receita. Mas datas não sei.

É a Benfica TV que ganha mais com a adesão à Zon ou vice-versa?
Quando a Benfica TV arrancou, o Meo conseguiu um crescimento brutal: passou de 130 mil para 500 mil. Recebi um feedback imenso de benfiquistas que mudaram da Zon para o Meo, há um ano. Quando se concretizar a transmissão na Zon, parece-me óbvio que saímos ambos a ganhar.

Tem receio de que surjam a Sporting TV e a FC Porto TV?
A concorrência é benéfica. Mas não nos vamos iludir. O Sporting, pela sua dimensão, não consegue gerar interesse comercial suficiente para um canal. Quanto ao FC Porto, apenas teria um relativo sucesso numa parceria com o Porto Canal, que tem uma dimensão grande no Norte.

Manchester United ou Real Madrid são clubes europeus que já têm o seu canal de televisão. Inspirou-se neles?
Não, desliguei-me. Não vejo qual a vantagem em fazê-lo. O sucesso desses canais não pode ser comparável de país para país.

A Benfica TV conta com apresentadores conhecidos do público. Quem mais gostaria de ter no canal?
Adorava ter os Gato Fedorento, que são todos do Benfica, menos o Quintela. Eles sabem que estão à vontade para vir comentar um programa qualquer.

O que é mais difícil na gestão do canal?
A grelha. É um trabalho que depende muito dos resultados dos jogos. O benfiquista não quer ver a repetição na Benfica TV de um jogo que perdemos. Há outro problema. Como emitimos o maior número de jogos possível, se há partidas a ocorrer ao mesmo tempo, temos de atrasar ou adiantá-las para não haver choque na transmissão.

O canal tem 80 trabalhadores, a maioria em regime de recibos verdes. É uma equipa coesa e satisfeita, apesar disso?
Sim. A maior parte destas pessoas têm aqui o seu primeiro emprego. É uma oportunidade de luxo. Todos os jornalistas aparecem em antena. Isto mexe com o ego e acaba por deslumbrá-los. O problema na equipa pode residir aí e nunca nos recibos verdes.

Ser benfiquista é um requisito para trabalhar neste canal?
É. Faz sentido que assim seja, com tanta procura de trabalho na área... Eles podem ter mentido, mas isso mais cedo ou mais tarde vai saber-se. (risos)

É o homem forte do canal. Quem é Ricardo Palacin?
Sou sereno, tolerante e consigo ter um grande distanciamento em relação ao meu trabalho. Gosto de futebol e do campo. Nasci na Guiné-Bissau, onde fiquei até aos 3 anos. Na televisão, comecei em Macau, há 16 anos.

Foi coordenador de programas na SIC e, mais tarde, director da SIC Radical e SIC Comédia. Que recordações tem da estação de Carnaxide?
As melhores. A SIC abriu-me muitas portas. Apercebi-me de que fazer canais por cabo é um desafio fabuloso e que se consegue fazer muito com pouco.

Está a gostar do trabalho de Pedro Boucherie Mendes na direcção dos canais temáticos da SIC?
O Pedro tem feito um bom trabalho mas, verdade seja dita... foi deixando perder a identidade da SIC Radical, ao colocar no ar programas como os jogos de futsal ou a reposição do Hora H. Está a desvirtuar a imagem do canal.

Há um ano, foi dito que queriam chegar ao milhão de telespectadores até ao final do ano. Vão conseguir?
Esse era um objectivo do Meo, mas ainda não o alcançámos.
Quais são as novidades na grelha de programas da Benfica TV?
Temos um programa documental para estrear o quanto antes, Vitórias e Património, ao nível do People+Arts. É um grande objectivo para 2010.

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