Chineses querem fábrica de pilhas no Alentejo

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Shangai Union Technology quer investir 220 milhões de euros

O parque industrial de Beja poderá receber a instalação de uma grande unidade de produção de pilhas alcalinas destinadas exclusivamente ao mercado externo. O projecto foi apresentado à Câmara Municipal pelo grupo Shangai Union Technology, que pretende investir cerca de 220 milhões de euros e tirar partido do futuro aeroporto regional, que deverá estar pronto até ao final do ano.

Depois de gorada a intenção da Associação da Indústria e do Comércio dos Chineses em Portugal, que pretendia instalar na cidade uma plataforma logística, o presidente da autarquia alentejana, Francisco Santos (do PCP), acredita que esta iniciativa "tem outra solidez". E revela que os investidores "trouxeram uma proposta mais concreta, foram ver o terreno e mostraram-se interessados". "Parece-me uma coisa relativamente sólida, não me parece ser uma brincadeira", afirmou em declarações ao DN.

A futura fábrica deverá ocupar seis hectares no parque industrial de Beja. Uma área que a autarquia vai vender por cerca de 150 mil euros, com infra-estruturas feitas e apenas direito de superfície, "para evitar especulações". "É um preço extremamente baixo e o grande incentivo será esse. Pode-se considerar quase grátis", defendeu.

O edil comunista destaca também que o regulamento do parque industrial estipula um período para fazer a obra que, se não for cumprido, obriga a devolver o terreno à câmara "para evitar que haja especulação imobiliária".

O presidente da Núcleo de Empresários de Beja (Nerbe), Luís Serrano, encara esta possibilidade "com bons olhos" mas avisa que "é preciso ponderar sobre a natureza do investimento" porque, destacou com insistência, "muitos ficam pelo caminho. Precisamos de investimento estável e duradouro".

Em meados de Fevereiro, o representante do grupo chinês, Mei Shen Bao, regressará a Beja "com pessoas ligadas ao poder político de Xangai" e, adiantou o presidente da câmara municipal, "esse será o momento decisivo" para a concretização de um investimento que poderá criar 580 postos de trabalho e produzir 100 milhões de pilhas por ano.

Refira-se que o autarca manifesta maior esperança neste projecto do que na plataforma logística anunciada no último Verão e que serviria para distribuir produtos nas lojas chinesas no Sul do País. O projecto, que chegou a ser apresentado com grande pompa, acabou por não progredir e parece estar esquecido. "Com a Câmara de Beja nunca mais ninguém falou sobre o assunto e portanto não há outros desenvolvimentos. É um processo para já sem evolução e não me parece que tenha grande futuro aqui", disse Francisco Santos.

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