Divulgado em 2013 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, o plano visa reativar a antiga via comercial entre a China e a Europa através da Ásia Central, África e sudeste Asiático..Inclui uma malha ferroviária de alta velocidade, portos e autoestradas, e vai abranger 65 países e 4,4 mil milhões de pessoas - cerca de 60% da população mundial..O plano permitirá reiterar a proeminência da China como um poder dominante na Ásia, onde a sua cultura e economia exerceram outrora forte influência sobre os países vizinhos..Para Gao Zhikai, antigo intérprete de Deng Xiaoping e mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Yale, trata-se, contudo, de uma forma "muito racional de pensar o desenvolvimento"..A Nova Rota da Seda "complementará a falta de conetividade entre países", gerando "novas formas" de olhar para o desenvolvimento, defendeu Gao à agência Lusa, em Pequim..E exemplifica com o Cazaquistão, a nona maior nação do mundo, situada no coração da Ásia Central: "As perspetivas de desenvolvimento do Cazaquistão, enquanto país isolado ou no contexto da eurásia, são muito diferentes".."O Cazaquistão não tem saída para o mar, está rodeado por outros países, numa região geopoliticamente sensível", explica. "Mas, se o olharmos como parte da eurásia, passa a ser um centro importante, que tens que atravessar para ir da Ásia para a Europa"..O projeto, financiado pelo Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), com sede em Pequim e do qual Portugal é membro fundador, é comparado ao norte-americano 'Plano Marshall', lançado a seguir à Segunda Guerra Mundial..Gao diz que a construção de autoestradas, redes ferroviárias, aeroportos, portos e telecomunicações é também uma forma de combater a pobreza.."É uma forma de atacar as questões que geram pobreza", diz Gao Zhikai, um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa.."Mesmo na Europa, os problemas de pobreza estão ligados à falta de desenvolvimento ou a um desenvolvimento que não foi estruturado de forma racional", aponta..Para a China, a maior potência comercial do planeta, a iniciativa surgirá também da necessidade em escoar o seu excesso de capacidade de produção no setor secundário..Mas em Washington, Moscovo ou Nova Deli, a expansão da esfera de influência de Pequim suscitará preocupação, enquanto críticos sublinham os perigos para os Direitos Humanos ou o meio ambiente, associados à exportação do modelo de desenvolvimento chinês..Gao Zhikai diz que quem ignorar a iniciativa está a cometer "suicídio".."Para as empresas norte-americanas ou alemãs, trata-se de uma nova forma de fazer negócios", afirma..Entre os países cujos presidentes participam do Fórum constam a Rússia, Turquia, Cazaquistão, Bielorrússia, Filipinas, Argentina ou Chile..Espanha, Itália, Polónia, Malásia ou Mongólia enviarão os respetivos primeiros-ministros..Portugal, que já afirmou a sua intenção de integrar a iniciativa, com a inclusão do porto de Sines, enviou o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira..O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, também participarão no evento..No entanto, a maioria dos países ocidentais, nomeadamente Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha ou França, não terão representantes ao mais alto nível..Gao Zhikai desvaloriza as ausências e lembra que a Nova Rota da Seda está já a "gerar bastante dinâmica", apesar de ter sido lançada só em 2013. ."O fórum vai durar apenas dois dias", diz. "Mas a iniciativa perdurará durante anos ou décadas".