China diz estar preparada para contra-atacar taxas alfandegárias dos EUA

A China afirmou que empreenderá os "contra-ataques necessários", em resposta às taxas alfandegárias que hoje entram em vigor nos Estados Unidos sobre 34.000 milhões de dólares (29 mil milhões de euros) de importações chinesas.
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"A China prometeu não efetuar o primeiro disparo, mas para defender os interesses do país e da população é forçada a realizar os contra-ataques necessários", afirmou o Ministério do Comércio chinês, em comunicado.

Em abril, Pequim anunciou que ia retaliar contra as medidas de Washington ao punir as exportações norte-americanas no mesmo valor, suscitando receios de uma guerra comercial total entre as duas maiores economias do mundo.

"Notificaremos rapidamente a OMC [Organização Mundial do Comércio] sobre a situação e trabalharemos com outros países para proteger em conjunto o livre comércio e o sistema multilateral", de acordo com o mesmo comunicado.

O Ministério lamentou que os "Estados Unidos tenham violado as regras da OMC e tenham lançado a maior guerra comercial de sempre da história económica".

As ações de Washington "colocam em perigo a cadeia industrial global, dificultam a recuperação económica, causam volatilidade no mercado e afetarão muitas corporações multinacionais inocentes, empresas e países concorrentes", afirma.

"Os consumidores não só estão desprotegidos, mas [as taxas] prejudicarão os interesses dos negócios e do povo norte-americanos", acrescentou.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que novas taxas alfandegárias sobre produtos chineses entram hoje em vigor e que está preparado para uma guerra comercial com Pequim.

Trata-se da primeira de uma série de medidas retaliatórias de Washington contra alegadas "táticas predatórias" por parte de Pequim, que visam o desenvolvimento do seu setor tecnológico.

Trump garantiu já que taxas adicionais serão impostas nas próximas duas semanas sobre mais 16 mil milhões de dólares de exportações chinesas para o país.

Caso Pequim rejeite ceder às exigências norte-americanas e decida retaliar, o líder norte-americano prometeu que punirá ainda mais produtos chineses, até um total de 550 mil milhões de dólares, mais do que valor total das exportações chinesas para o país no ano passado.

A administração norte-americana acusou a China de roubo de tecnologia e de exigir às empresas estrangeiras que transfiram 'know how' em troca de acesso ao mercado. Trump quer ainda uma balança comercial mais equilibrada com o país asiático.

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