O iminente desastre eleitoral do Partido Social-Democrata da Alemanha faz-me lembrar a bem conhecida definição de loucura: fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. O SPD perdeu as três eleições anteriores posicionando-se no superlotado centro político alemão. Com Martin Schulz como novo líder, está a caminho da derrota uma vez mais..Quando o Sr. Schulz foi à televisão para o debate pré-eleitoral com Angela Merkel, pareceu que estava a falar com a sua chefe. Foi respeitoso, ansioso para encontrar áreas em que existisse acordo. As últimas sondagens colocam o SPD entre os 20% e os 23% das intenções de voto. É verdade que as sondagens alemãs já estiveram erradas antes. Pode haver mudanças de última hora. A participação nas eleições pode ser desigual. Mas é seguro dizer que, neste momento, o Sr. Schulz está longe do ponto em que devia estar para obter um bom resultado no domingo..O que está a correr mal? O SPD costumava ser um dos grandes na política alemã. Será o candidato? Não tenho a certeza disso. O Sr. Schulz é o melhor orador que o partido teve desde Gerhard Schröder. Ele pode ter subestimado o ninho de víboras da política nacional alemã, tendo passado a maior parte da sua carreira em Bruxelas. Mas o declínio do SPD não é culpa de um único indivíduo. E não começou neste ano..A razão profunda está relacionada com o fracasso coletivo do partido em conseguir tirar as conclusões corretas dos dois acontecimentos económicos cruciais do nosso tempo: a globalização e a crise financeira da zona euro..Os sociais-democratas falam muito sobre a justiça social, mas não mudaram as suas posições neoliberais sobre a política económica desde os pujantes anos 1990 e início dos anos 2000. Eles apoiam as regras orçamentais da UE sem reservas e acreditam que os governos devem executar orçamentos equilibrados a maior parte do tempo..A mistura de conservadorismo económico e liberalismo social resultou para Schröder, que foi chanceler entre 1998 e 2005. Mas o declínio do SPD já estava em andamento. O sucesso de Gerhard Schröder e o de Tony Blair no Reino Unido levaram a atual geração de políticos a concluir que a esquerda só pode ganhar a partir do centro..A conclusão equivocada baseia-se no mais crasso de todos os erros estatísticos, o de tentar extrapolar um número muito pequeno de observações para uma verdade universal válida para todos os tempos..A conclusão oposta também não é verdadeira. A mudança para a esquerda pura e dura rendeu ao Partido Trabalhista do Reino Unido uma votação de 40% nas eleições de junho. Mas duvido que isso funcione para o SPD. Os Jeremy Corbyn da Alemanha não estão no SPD, mas no Partido da Esquerda. Mesmo que uma mudança tática levada a cabo pelo SPD resultasse num aumento de votantes, isso continuaria a não ser suficiente para os três partidos da esquerda - SPD, Partido da Esquerda e Verdes - obterem uma maioria..O que o SPD precisa agora é de um período de reflexão fora do governo. Em 15 dos últimos 19 anos, o partido tem estado em governos de coligação. Os seus líderes não tiveram oportunidade de pensar profundamente sobre a globalização. Até agora, a Alemanha tem beneficiado da globalização e da sua posição única na zona euro..Mas a Alemanha pode entrar em breve numa fase diferente. Os seus produtos conseguiram ocupar um nicho seguro nos segmentos de alta qualidade da economia global, mas os concorrentes estão a recuperar. As empresas de automóveis alemãs podem ter apresentado mais patentes do que quaisquer outras, mas o antigo cartel da indústria automóvel em breve será confrontado com novos concorrentes e tecnologias desconhecidas..O impacto social negativo da globalização, que é claramente visível nos EUA, no Reino Unido e em França, mas ainda não na Alemanha, acabará por chegar lá também. Um partido social-democrata inteligente deve refletir sobre essa tendência e preparar-se..Deve também refletir sobre o futuro da Europa de uma forma muito mais profunda. No debate televisivo entre Merkel e Schulz, não houve qualquer discussão sobre a futura arquitetura da UE e da zona euro. O SPD evitou cuidadosamente ser arrastado para questões como os eurobonds ou outras formas de ativos seguros comuns..Conheço bem Martin Schulz e sei que ele não só acredita na UE mas também numa zona euro profundamente integrada. Ele não concorda com o intergovernamentalismo da Sra. Merkel. Porque não saiu para a luta? Porque é que o SPD alemão deixou Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, por sua conta na semana passada, para uma grande reflexão sobre a forma como a UE e a zona euro estão a trabalhar? Porque é que isso não é uma questão eleitoral?.Eu sou o primeiro a admitir que isso possa não fazer com que o Sr. Schulz ganhe as eleições. Mas, pelo menos, ele teria caído defendo algo que valesse a pena. O meu conselho para o SPD é que deixe de se concentrar em táticas pouco ambiciosas para vencer estas eleições e comece a pensar seriamente em estratégias para ganhar as próximas.