Chega de Perdidos

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O problema de Lost/Perdidos (4.ª temporada na RTP1, e 5.ª na Fox), que tantos dos meus contemporâneos têm como religião, é que não vem de lado nenhum - e não vai para lado nenhum. Não há puzzle porque não há solução. Há apenas uma sequência de acções aleatórias, ilógicas e irracionais por parte de uma série de personagens vazias, que  não passam de autómatos instrumentalizados pelos argumentistas para render o peixe.

A primeira temporada foi interessante. Misturar o filme Cast Away/O Náufrago com o reality show Survivor era uma boa ideia - e o regresso ao passado das principais personagens agarrava o telespectador, atarantado sobre quem era "bom" e quem era "mau" (e sobretudo mudando persistentemente de opinião). A principal força da série, no entanto, vinha de uma personagem nunca declarada como tal: a própria ilha misteriosa onde os sobreviventes do voo Sydney-Los Angeles tinham ido dar. Que ilha era aquela? E sobretudo: que raio estava ali a acontecer?

O mistério desvendou-se mais ou menos a meio da 2.ª temporada - e, desde então, Lost nunca mais teve graça. Resistiu porque este é um tempo de regresso ao místico, em que desesperadamente procuramos uma "explicação inexplicável" para a maldade da nossa própria natureza. Como modelo de negócio, é de facto extraordinária. Do ponto de vista narrativo, e como infelizmente aconteceu com tantas outras boas ideias ao longo da história da TV, virou simples enchimento de chouriço.

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