Centeno diz que estes "ainda não são momentos difíceis" mas "muito, muito desafiantes"

Governador do Banco de Portugal recorda que há uma guerra na Europa, "ainda que às vezes não pareça que ela está tão perto", e diz que alterações climáticas obrigam "a mudar de comportamentos".
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O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse esta quarta-feira aos alunos do ISEG que os momentos que atualmente se vivem "ainda não são momentos difíceis", mas "muito, muito desafiantes", e defendeu que a vitória requer "enorme esforço".

Mário Centeno, que foi aluno e é professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), falava na instituição no dia em que arranca a receção aos novos estudantes num evento que contou também com a presença da presidente executiva da Altice, Ana Figueiredo.

"É usual dizer-se nos dias que correm que nós estamos a enfrentar muitos desafios, o que é absolutamente verdade. Eu, nas minhas funções atuais, gosto de separar muito claramente o que são desafios e o que são dificuldades", afirmou Mário Centeno aos alunos.

"Estes não são momentos difíceis, ainda não são momentos difíceis, são momentos muito, muito desafiantes", considerou o antigo ministro das Finanças, recordando que há uma guerra na Europa, "ainda que às vezes não pareça que ela está tão perto".

Mário Centeno apontou ainda a batalha das alterações climáticas, que "obriga a mudar de comportamentos" e que todos devem estar abertos para o fazer.

"Tudo isto está, acreditem, no centro da economia, no centro da gestão, no centro das finanças", referiu o governador do banco central português, sublinhando que estes desafios "só se vencem com esforço".

A vitória "destas batalhas (...) requer um enorme esforço" da parte de todos e "são desafios que vamos vencer", rematou Mário Centeno.

Entretanto, questionado por um aluno sobre a importância do desporto no sucesso, Mário Centeno salientou que o desporto dá a "conhecer a noção mais perfeita do que é o trabalho coletivo, o esforço conjunto".

Deu como exemplo o râguebi, desporto que praticou, que na sua opinião "é, talvez, de todos os desportos, aquele que mais se aproxima da descrição desta noção de trabalho coletivo".

Mário Centeno considerou que a bola de râguebi é um objeto que descreve o euro e explicou: "O euro aproxima-se muito de uma bola de râguebi por três razões: a primeira é porque é difícil de manejar, tem um formato difícil de ser trabalhado, o euro é a mesma coisa".

Ou seja, prosseguiu, "é muito difícil gerir muitos países da área do euro".

A segunda semelhança é porque "no râguebi todos temos de avançar ao mesmo tempo no campo, a equipa não pode deixar ninguém para trás" e no "euro é a mesma coisa", apontou.

A terceira razão é que quando numa equipa de râguebi há uma expulsão ou uma sanção, "leva alguém temporariamente ou de forma definitiva a sair do campo, a equipa de râguebi, sendo 15 jogadores, sofre mais do em qualquer outro desporto", argumentou.

E no euro "é exatamente a mesma coisa, não podemos permitir que nenhum país da área do euro saia do euro porque o euro não vai funcionar nem funcionaria da mesma forma se tivéssemos algum país suspenso ou fora", salientou.

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