"A força deste protesto deve-se a isso: é praticamente independente"

Milhares de professores vindos de vários pontos do país manifestam-se este sábado em Lisboa. Futura reunião com Ministério da Educação (18 a 20 de janeiro) tem expectativas baixas entre os profissionais de educação.
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Ricardo Jordão, professor de Geografia em Portimão, não participa num protesto destes pela primeira vez, mas sente que a manifestação deste sábado "é diferente". "A força deste protesto deve-se a isso: é praticamente independente. Claro que é motivado pelo STOP, mas não estão todos ligados à Fenprof ou a outros sindicatos mais partidários", disse em declarações ao DN.

De 18 a 20 de janeiro, já na próxima semana, o Ministério da Educação vai reunir-se com os sindicatos. Mas, para Ricardo Jordão, a expectativa é baixa. "Gostava mas não acredito que haja grandes mudanças para já", afirma. "Há questões mais materiais, como as remunerações, e outras de burocracia, como a progressão de carreiras e questões curriculares, que deviam merecer atenção por parte do poder político", acrescenta.

Vinda de Braga com a filha, Margarida Rosário, 59 anos, não participa pela primeira vez num protesto, mas emociona-se ao falar sobre a manifestação deste sábado. "Estou cansada, são muitos anos", começa por dizer, contestanto depois a centralização dos poderes de gestão de cada escola na figura do diretor: "É muito mau. Fizemos greve, os pais contestaram, a direção avisou-nos de que podíamos incorrer num processo disciplinar. O que é isto?", questiona.

Professora de apoio numa escola em Guimarães, Margarida Rosário - que com 28 anos de serviço está no quarto escalão da carreira - pede ainda que, nas reuniões da próxima semana, o ministério oiça as preocupações dos docentes: "Estamos cansados de papéis, de tanta burocracia. Além disso, pessoas com mobilidade por doença que recebem uma miséria. É preciso tornar a carreira mais atrativa", conclui.

A forma como os professores se estão a manifestar este sábado em Lisboa "é uma grande lição de democracia". Assim defende Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, presente no protesto ao lado da classe docente.

"Ouvimos o ministro [da Educação, João Costa] dizer que compreende as reivindicações, o problema são as ações concretas", defende a coordenadora bloquista, apontando um problema: "Na realidade das escolas, os professores continuam com salários líquidos tão baixos que dificilmente pagam as deslocações para ir dar aulas ou para pagar uma renda no local onde estão colocados."

Antes, já Tânia, professora de Educação Especial com 13 anos de serviço, tinha apontado falhas: "Precisamos que nos descongelem o tempo de serviço e que facilitem a progressão nas carreiras." E, segundo a professora, "é impossível haver pessoas durante anos a fio à espera da vinculação. Isso tem de mudar".

Até às 15.00, a organização não adiantava números de adesão. Ao DN, fonte do STOP, dizia ser "impossível" fazer um cálculo aproximado do número de professores - ainda que houvesse inscrições prévias para o protesto. "Esta greve e estes protestos têm muito de autoorganização. É impossível apontar um número para já", aponta.

No entanto, a manifestação não se faz só com profissionais da educação - tendo sindicatos de outros setores (como dos trabalhadores da Autoeuropa) juntando-se para mostrar apoio à causa.

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