Castros do Noroeste peninsular candidatos a património mundial

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Os vestígios da cultura castreja presentes no Noroeste da Península Ibérica poderão vir a ser classificados como património da humanidade. Uma candidatura conjunta do Norte de Portugal e da Galiza está a ser preparada, embora do lado galego os trabalhos estejam mais avançados, na medida em que existe um maior número de estruturas arqueológicas visitáveis. Uma forma de potenciar o turismo cultural de uma forma articulada nos dois lados da fronteira.

No Norte de Portugal, Armando Coelho, da Universidade do Porto, estima haver condições para "daqui a quatro anos os inspectores da UNESCO virem ao terreno avaliar a candidatura". Para já, trabalha-se na "estruturação de uma rede de cooperação entre instituições que tutelam directamente estes povoados de modo a garantir critérios comuns", tanto no que respeita aos trabalhos de consolidação, ainda necessários, como à gestão desses espaços.

Apesar de haver ainda muito trabalho a fazer, já é possível estabelecer um circuito que permite ao visitante perceber um pouco melhor como viviam os povos no período anterior à ocupação romana. Mas não só. Na Citânia de Briteiros, uma das mais bem conservadas (ver texto na página seguinte), foi descoberto recentemente, um importante núcleo de gravuras rupestres, que atesta ocupação ainda anterior à época castreja.

Armando Coelho estuda há décadas a cultura castreja. Para este projecto olha como um sonho prestes a realizar-se um roteiro de sítios castrejos que vai do oceano Atlântico até ao rio Sabor, em pleno Parque Natural de Montezinho, em Trás-os-Montes. Não muito longe, na vizinha Galiza, fica situada uma das âncoras deste projecto comum: S. Cibran dos Lagos, em Orense, um enorme parque temático sobre a cultura castreja. Na Galiza, há outras estruturas com o mesmo espírito, abordando outros tempos históricos. Junto ao mar, na Corunha, o visitante pode saber um pouco mais sobre o megalitismo, em Pontevedra, o tema é a arte rupestre, e em Lugo, com uma muralha classificada património da humanidade, o tema é a romanização.

Uma experiência que me muito pode ajudar os portugueses. Com um âmbito mais restrito, a comissão Coordenadora dos Castros do Noroeste Peninsular a Património Mundial pretende "recuperar e ordenar àreas significativas da envolvente dos arqueos- sítios contribuido para valorizar a paisagem tradicional".

E se há cividades com condições quase óptimas para os visitantes - Briteiros e Sanfins - outras há onde um longo caminho está por fazer. Com vista a inverter esta situação, foi distribuído um questionário por municípios com sítios castrejos com potencialidades para integrar o conjunto que será avaliado pela UNESCO.

Para além das citânias de Briteiros (Guimarães) e Sanfins (Paços de Ferreira), deverão integrar esta rede cultural as cividades de Santa Luzia (Viana do Castelo), Monte Mozinho (Penafiel), Terroso (Póvoa de Varzim), Bagunte (Vila do Conde), Âncora (Caminha/Viana do Castelo), S. Lourenço (Esposende), Alvarelhos (Trofa), Carmona (Barcelos), Eiras (Vila Nova de Famalicão), S. Julião (Vila Verde), Outeiro, Lesenho e Carvalhelhos (Boticas), Pópulo (Alijó), Romariz (Santa Maria da Feira, Baiões e Cárcoda (S. Pedro do Sul) e Cabeço de Vouga (Águeda).

Para já foi distribído um inquérito aos municípios que integram este tipo de sítios arqueológicos no seu território. O objectivo é caracterizar a situação existente e, ao mesmo tempo, avaliar o interesse dos concelhos e a sua disponibilidade para investir num projecto deste tipo. Saber se os locais têm acesso a ambulâncias , se há transportes públicos regulares, que tipo de escavações já foram desenvolvidas , que estruturas de apoio existem, são algumas das questões que os responsáveis pela candidatura querem ver esclarecidas.

Antes mesmo de os sítios serem clasificados, o roteiro está disponível para todos que queiram pasar uns dias de férias diferente.

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