Portuguesa e italiano diziam ter pistas de Maddie.O casal luso-italiano que tentou extorquir dinheiro ao pais de Madeleine McCann em troca de informações sobre o alagado paradeiro da filha, detido na madrugada de quinta-feira perto de Cádis, Espanha, é ouvido hoje às 9 horas (hora espanhola) pelo Tribunal de San Roque, cidade onde Danilo Chemello, de 61 anos, e Aurora Vaz Pereira, de 54, viviam. É mais um crime a juntar ao longo cadastro dos dois, que cumpriram 18 meses de prisão em França, há quatro anos, por maus tratos à filha da portuguesa, na altura com cinco anos.. A criança esteve sequestrada durante meses na moradia onde o casal residia, em Saint-Tropez, tendo sido tratada como "um animal", segundo foi provado no julgamento ocorrido em 2003. Foi a filha de Danilo, um ex-industrial que ficou milionário graças à extracção de cascalho em Sandrico (Vincenza), Itália, que denunciou a situação às autoridades. No julgamento, Lucarini, então com 19 anos, contou, na qualidade de testemunha arrolada pela acusação, que a filha de Aurora, com quem o seu pai vivia desde meados da década de 90, que a menor era mantida fechada num quarto escuro, com barras na janela, "como numa prisão", de mãos atadas com fita cola.. Segundo a filha mais velha de Danilo Chemello, a comida era "atirada" para o chão do quarto. A alimentação era deficiente e a menor não tinha assistência médica. Quando foi encontrada "não falava" e o seu desenvolvimento era inferior a uma criança de cinco anos. "Não tinha afecto, roupas e brinquedos", relatou Lucarini, afirmando que "eles eram incrivelmente cruéis". Ressalvou, contudo, que não havia indícios de abusos sexuais. Paradoxalmente, o filho comum do casal, então com sete anos, era, de acordo com o depoimento de Lucarini, tratado como o "pequeno príncipe da família". Frequentemente, era observado em casa pelo médico da família, que não sabia da existência da filha de Aurora.. Antes deste insólito episódio, em 1996, o industrial de Vincenza e a sua companheira portuguesa, na altura já a residirem em Saint-Tropez, estiveram envolvidos numa tentativa de homicídio ao ex-marido de Aurora. Cinco anos depois, Aurora Vaz Pereira contratou um ex-polícia italiano para esconder cocaína no carro do ex-marido, na tentativa de o incriminar. O plano falhou porque foi descoberto pela polícia, tendo o casal sido condenado a cinco anos de prisão por envolvimento em tráfico de droga e instigação à corrupção e posse de arma proibida. Posteriormente, Chemello envolveu-se num delito de associação criminosa por conspiração para assassinar um juiz francês. Nessa altura, o italiano e a portuguesa fugiram para o Sul de Espanha, pendendo sobre ele, desde então, um mandado de captura internacional, emitido por um tribunal francês.. Na onda de actividades ilícitas que sempre desenvolveram, Danilo e Aurora terão visto no caso Madeleine um bom filão. Segundo disse ao DN o inspector-chefe da Polícia Judiciária (PJ), Olegário Sousa, "o casal tentou, através de uma terceira pessoa, chegar aos McCann, dizendo que tinha informações sobre o paradeiro de Maddie. " Terá havido uma proposta no sentido de a família dar uma determinada quantia em troca dessas informações", esclareceu aquele responsável da PJ, escusando-se a referir o valor da recompensa. De acordo com o inspector-chefe, "a coisa morreu aqui, não tendo havido mais contactos". Dois inspectores do Departamento de Investigação Criminal de Portimão daquela polícia continuam em Espanha a acompanhar o caso, devendo regressar hoje, assim que se souberem as medidas de coacção decretadas pelo tribunal.