Casais pagam para satisfazer fantasias femininas

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Quando perguntamos a Daniela se também é procurada por casais, a carioca não só nos responde com o maior desassombro que sim, que vários casais recorrem aos seus serviços experimentados, como ainda nos informa que "a mulher é a mais entusiasta da fantasia, aquela que leva o casal a experimentar sexo a três e que mais goza com a relação, que quer fazer mais coisas". Michelly Mattos confirma a versão da compatriota e adianta que "mesmo quando o homem sai do quarto, a mulher quer continuar a mexer e a fazer coisas, tem enorme curiosidade". A oferta especializou-se de tal forma para este género de procura que em bares de alterne existe mesmo a modalidade de casal, que, em média, nunca fica por menos de 60 euros.

Marisa, 25 anos, e Mário, 31, ainda não são clientes de Daniela. Mas podiam ser. Pelo menos se depender de Marisa. "Adoro o corpo de uma mulher, excita-me muito mais do que o de um homem, e geralmente o Mário leva-me a clubes de strip para me pagar privados", relata com um sorriso na cara, como se estivesse a ver uma mulher a fazer uma dança sensual à sua frente. Para Mário, a situação só lhe pode trazer vantagens. "Em primeiro lugar, mesmo se fizéssemos sexo a três seria com outra mulher, o que nunca seria desagradável, e depois quando a levo a clubes de strip, quando chegamos a casa acaba por sobrar sempre alguma coisa para mim. Aconteça o que acontecer, sou sempre eu que saio a ganhar".

Quem olhasse para este casal sentado em frente ao palco do clube Passerelle, junto ao Campo Pequeno, em Lisboa, teria dúvidas em perceber quem estaria a retirar mais prazer de ver uma loura de Leste a despir-se. Enquanto a esmagadora maioria dos homens se limitava a ficar atrás do palco, na curta faixa para fumadores, o que levava as dançarinas a circundarem à sua volta, o casal da zona do Estoril sobressaía no meio de uma sala quase vazia. E mais ainda o interesse de Marisa. Quando começava a música, a jovem não tirava os olhos do circulo de aço onde as dançarinas fazem as suas piruetas. Algo a que nem a maioria dos homens assistia, entretidos em verdadeiras batalhas de charme com bailarinas seminuas que lhes pediam bebidas. "É que o que me atrai não é só a parte sexual da coisa, até porque eu sou heterossexual e não tenho dúvidas disso. Isto para mim tem qualquer coisa de arte erótica", explica, como se tivesse de se defender de um qualquer preconceito sexual.

Mais do que grandes conceitos artísticos ligados ao erotismo, é mesmo o striptease como técnica de sedução que fascina Rita. "Eu se pudesse punha um varão destes na cozinha", diz- -nos em tom de troça, enquanto assiste a mais um strip no Champagne, um dos clubes mais conhecidos de Lisboa. A esta técnica de marketing de Oeiras nem sequer lhe faz confusão os espectáculos masculinos, que já presenciou em despedidas de solteiro. "Mas aos 29 anos nunca tinha entrado num clube destes e tinha uma curiosidade mórbida para conhecer estes ambientes." Conclusão: "Adorei. A decoração até é sóbria, em tons de negro, com umas luzinhas de lado, nada de muito espampanante, mas não deixa de cheirar a sordidez, o que me encanta", afirma, enquanto nos pisca o olho, espécie de chamada de atenção para o lap dance - dança personalizada no colo do homem, em que só à striper é permitido tocar no cliente - que se desenrola atrás de nós e que deixa o homem que a recebe com ar de quem vai ter um colapso cardíaco.

A ter em conta a oferta do mercado na área das aulas de danças eróticas, Rita não é caso raro entre as mulheres, que cada vez mais procuram novas técnicas de sedução. Em Portugal, um curso de quatro aulas de pole dance, ou dança de varão, custa 185 euros, ao passo que as mulheres que queiram ter uma hora de aula avulso e personalizada tem de desembolsar 55 euros. Se Rita decidir, de facto, colocar um varão de striptease no meio da cozinha, pode comprar um por cerca de 90 euros. |

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