A razão para só perguntarem às mulheres quem desenhou o vestido delas é simples: os homens vão todos de igual. A piada faz parte do discurso carregado de ironia de Chris Rock, na abertura dos Óscares, em resposta ao mal-estar instalado por não haver afro-americanos nomeados. Em vez de se fixar no tema, o ator alargou o caso a outras formas de discriminação que existem e envergonham os Estados Unidos. Mas conseguiu tornar a mensagem mais clara e mais poderosa ao reconhecer uma outra verdade: "Nem tudo é sexismo, nem tudo é racismo." Hoje, no DN, contamos como o McDonald's diferenciava as suas caixas da Happy Meal para rapariga e para rapaz com brinquedos e questionários distintos. É uma forma de discriminação? Sem dúvida. É sexismo? Só até certo ponto. A verdade é que a maioria das miúdas prefere receber um tipo de brinde e a maioria dos rapazes opta por outro. As miúdas gostam de bonecas, os miúdos gostam de carros. O que não significa que não haja muitas raparigas a brincar com carrinhos ou a jogar à bola. E rapazes a brincar com bonecas - as figuras de ação, ainda que sejam super-heróis ou lutadores de wrestling, não entram na categoria de bonecada? O problema não são os brinquedos da Happy Meal - até porque as crianças não são obrigadas a levar um em detrimento do outro, podem escolher o que querem. O que é realmente incompreensível é que em pleno 2016 passe pela cabeça de alguém que se distinga as respostas disponíveis a perguntas como "qual o teu maior talento?", ou "o que é mais importante para ti"? É este o tipo de discriminação que ainda existe e que, por exemplo, nos impede de ver mais mulheres em cargos de liderança ou a receber tanto quanto os homens pelo mesmo tipo de trabalho. Há um caminho a fazer até que as oportunidades estejam realmente adaptadas à competência e não limitadas pelo género. Isso muda-se em casa, muda-se na escola, muda-se na sociedade. E muda-se também nas caixas da Happy Meal.