Carrilho exige pedido de desculpa a Carmona

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Manuel Maria Carrilho acusou ontem o actual presidente da Câmara de Lisboa de o ter caluniado no debate a dois na SIC Notícias, na quinta-feira à noite, exigindo desculpas de Carmona Rodrigues.

Em causa está uma referência do candidato do PSD que, durante o frente-a-frente, perguntou a Carrilho qual o custo de umas obras que este teria mandado fazer na casa de banho do seu gabinete, no Palácio da Ajuda, quando era ministro da Cultura. Esse alegado despesismo de Carrilho fez manchete do Tal & Qual em 1997 mas, conforme o socialista demonstrou ontem, em conferência de imprensa, ficou provado em tribunal que a notícia era falsa e os autores retrataram-se. "Carmona Rodrigues fez uma calúnia com conhecimento perfeito que esta não tinha fundamento", afirmou Carrilho, acusando o seu adversário de "má fé" e exigindo-lhe que peça desculpas. Contactada pelo DN, a candidatura de Carmona Rodrigues não comentou a exigência de Carrilho. Segundo fonte próxima do candidato do PSD, "não há nada a acrescentar", até porque Carmona só fez uma pergunta quanto custaram as obras nas casas de banho?

Este foi apenas um dos muitos momentos de tensão do debate de hora e meia, pontuado por acusações de ambas as partes, com os candidatos a atropelarem-se boa parte do tempo e a não deixar falar o oponente. De tal maneira que, no final, quando ambos saíam do estúdio, Carmona estendeu a mão para cumprimentar Carrilho e este virou as costas. "Grande ordinário!", exclamou o autarca.

"Quem não se sente não é filho de boa gente", respondeu ontem Carrilho, para justificar não ter apertado a mão ao adversário. Tal como tinha prometido durante o frente-a-frente, Carrilho apresentou ainda aos jornalistas documentos que provam várias afirmações que fez no debate e que foram contestadas por Carmona contratos de avença de assessores do autarca cujo vencimento foi duplicado, o contrato celebrado com a EMEL que, segundo Carrilho, "é lesivo do interesse público", a promessa de Carmona demolir o Bairro da Liberdade, ou o desinvestimento da autarquia em reabilitação urbana.

mais debates, diz carrilho. Num debate pobre de ideias, Carmona insistiu na sua qualidade de engenheiro para desacreditar Carrilho sempre que este falava de obras públicas. "Não sabe fazer contas", "não percebe de trânsito nem de engenharia", repetia o social-democrata, que recorreu várias vezes à herança de João Soares para diminuir as críticas do socialista.

"De 2001 para trás, já foi julgado, o balanço que importa fazer é de 2001 para cá", insistiu Carrilho, que acusou Carmona de despesismo - citou o projecto do Parque Mayer ou a autopromoção da câmara - e de nada ter feito pela cidade em quatro anos. "Não fez nada. Nada, nada, nada, nada", repetiu. A obra que Carmona ia apresentando ia sendo demolida pelo oponente, que não encontrou um único ponto positivo na actual gestão social-democrata. O autarca pagou na mesma moeda e classificou de "generalidade" ou "disparate" todas as propostas de Carrilho.

No balanço do debate, ninguém se mostrava em condições de cantar vitória. Entre os socialistas havia quem criticasse a Carrilho não ter apertado a mão ao adversário, mas também havia quem se mostrasse satisfeito porque "caiu a máscara de Carmona Rodrigues".

Apesar de tudo, Carrilho reafirmou que está disponível para mais debates a dois. Carmona não aceita, e, até às eleições, só haverá dois debates a cinco.

*com Luísa Botinas

e Martim Silva

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