Cantar é o melhor remédio

Muitos artistas, muitas mensagens de apoio, muita alegria. "Não é Natal sem o Natal dos Hospitais", atira João Baião, um dos apresentadores da 66.ª edição da iniciativa do DN (em parceria com a RTP e a Philips), que durante dez horas animou os doentes no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e no Hospital de São João, no Porto. Na festa subiram ao palco artistas como Marco Paulo, Anjos, Toy, Simone de Oliveira, Mickael Carreira, Quim Barreiros, Nucha e muitos mais. Mas a grande figura foi mesmo Tony Carreira, que não escondeu a emoção de participar novamente nesta iniciativa. Mais uma vez, os doentes tiveram um dia de internamento diferente <br />
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São sorrisos como o de Amélia Branco que continuam a comover Tony Carreira e que tornam especial cada presença no Natal dos Hospitais. Amélia tem 70 anos e sofreu um AVC. Não fala, mas, como a filha contou ao DN, a mãe estava mais alegre ao assistir ao espectáculo no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão e ao ser cumprimentada pelo cantor, demonstrou-o.

"Comove-me saber essas coisas. É evidente que fico feliz e é nestas situações que a música ganha maior dimensão", explicou. Sem surpresa, Tony Carreira gerou uma loucura no auditório. A alegria que a 66.ª edição do Natal dos Hospitais mais uma vez levou a Alcoitão e ao Hospital de São João, no Porto, teve o cantor como expoente máximo.

Porém, actuações como a de Nucha emocionaram o público, comovido com a forma como luta contra o cancro da mama, surgindo em palco sem preconceitos, não escondendo a careca, provocada pela quimioterapia (ver página 56). E se Mickael Carreira, os Anjos, Nélson e Sérgio, e Toy são sempre um sucesso - e todos eles salientaram o quanto é importante para eles contribuir para o momento de felicidade dos doentes -, a presença de Simone de Oliveira foi das mais aplaudidas.

Entrou em palco acompanhada da fadista Kátia Guerreiro, mas do público o que se ouviu foi: "Olha a Simone!" A cantora e actriz considera que esta edição do Natal dos Hospitais ganhou maior relevância dada a actual situação do País. Relembrando recentes campanhas para ajudar quem mais precisa em tempos de crise, deixou um recado bem ao seu jeito: "Os políticos deviam olhar para nós, meros mortais, e perceber como se ajuda."

Nos dois hospitais a maior ajuda estava mesmo a ser a mera presença de dezenas de artistas, que "apaziguaram por umas horas" a dor de estar internada nesta época, como destacou a filha de Amélia Branco. "Cada dia no hospital parece um ano para mim", diz Rosa Alice, internada no São João para ser operada. Sem esconder a amargura na voz face à possibilidade de ali passar o Natal, mesmo que, no palco, Quim Barreiros procure espalhar alegria e distribua beijos e acenos ao som do "Mestre de Culinária".

Sónia Araújo, apresentadora no Porto, não esconde "o prazer de participar nesta iniciativa", distribuindo beijinhos e tirando fotografias nos intervalos. "A reacção das pessoas é muito boa, querem estar connosco, falar e para eles o toque é muito importante", admite. João Baião, com quem fez dupla ao longo de várias horas, não esconde o prazer "de ver estes sorrisos todos, as pessoas de coração quente, mesmo estando internadas".

Para os doentes, o Natal dos Hospitais é a forma de trocar a doença por um dia a sorrir. "É um dia espectacular, hoje esqueço a doença", conta, radiante, a Bruna Cunha, de Ponte de Lima, internada no São João há um mês. Embora admita que "às vezes estamos aqui um bocado em baixo, é muito difícil".

Ao som dos Santamaria ou Emanuel, Neno ou José Malhoa, a animação foi uma constante no Porto e João Baião foi mostrando os atributos de animador, não se coibindo de dar um passo de dança com uma doente, de saltar para cima das cadeiras incentivando os aplausos ou de agarrar na primeira enfermeira que via para fazer um comboio pela sala.

Agora, mais, só em 2011. Até porque, como diz João Baião, "já não existe Natal sem Natal dos Hospitais".

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