Campanhas bancárias relançam crédito à habitação

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O mercado do crédito à habitação voltou a agitar-se. São várias as campanhas em curso, com os bancos a concorrerem fortemente pela captação de novos contratos, aproveitando o facto de o último trimestre do ano ser normalmente a altura em que as famílias tomam a decisão de comprar casa. E sem perder de vista um dado fundamental neste negócio, tanto para os bancos como para os consumidores as taxas de juro poderão já ter iniciado o ciclo de subida.

Apostando em spreads competitivos ou em fórmulas inovadoras para baixar a prestação, os principais bancos portugueses avançam com as suas soluções, num segmento em que as instituições estrangeiras a operar em Portugal apresentam também produtos muito concorrenciais. Outro dos objectivos que explicam a aposta no crédito imobiliário no último trimestre do ano é o reforço das carteiras de crédito dos bancos, com metas cada vez mais ambiciosas para cumprir e quotas de mercado para conquistar.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Santander Totta apresentam duas propostas inovadoras. O banco público, para defender a sua quota de liderança no mercado hipotecário, coloca hoje na sua rede o Crédito Habitação Triplex, que oferece a possibilidade de o cliente usufruir simultaneamente de um período de carência (até 10 anos), de diferimento de capital e a isenção de algumas despesas iniciais. Ao mesmo tempo, a Caixa eleva para 36 anos o limite de idade para se usufruir das vantagens de cliente jovem.

No caso do Santander Totta, a aposta vai para um produto de taxa fixa, o Crédito Habitação Super Tranquilo. O banco oferece uma taxa para cinco anos, que corresponde à taxa do mercado interbancário (para o período de promoção é de 2,64%), acrescida de um spread mínimo de 0,6 pontos na rede Totta e de 0,375 pontos para a rede Santander Portugal. Uma atitude louvável por parte do grupo é o facto de a sua campanha de publicidade alertar para o agravamento da prestação em 40%, se as taxas de juro subirem um ponto. Trata-se de um produto oportuno, atendendo ao facto de as taxas interbancárias já estarem a aumentar.

No caso do Millennium bcp e do Banco Espírito Santo (BES), as campanhas em curso são institucionais, apostando na oferta de várias soluções, adaptáveis a cada caso. A estratégia consiste em "trazer" para o banco os potenciais clientes, disponibilizando-lhe uma grelha de vários produtos. No caso do Millennium bcp, o spread mínimo oferecido é de 0,5 pontos percentuais, enquanto o BES aplica uma margem mínima de 0,7 pontos. Curiosa é a frase de campanha de cada um destes bancos o BES diz que "tem uma proposta melhor que na maioria dos casos" e o BCP garante "as prestações mais baixas do mercado".

Estrangeiros concorrem. Os bancos estrangeiros a operar em Portugal estão igualmente envolvidos neste mercado fortemente concorrencial. O Deutsche Bank, um dos "gigantes" europeus a operar em Portugal, tem neste momento em curso uma campanha de crédito à habitação que oferece um spread de 0,35 pontos durante os primeiros seis meses, valor que o banco afirma não ter sido comunicado até hoje em Portugal. Apesar da sua reduzida presença no mercado português, com uma rede de promotores imobiliários, o Deutsche procura ganhar quota de mercado, especialmente nos segmentos mais altos.

O Barclays Bank, outra instituição estrangeira a operar em Portugal, tem igualmente a decorrer uma campanha de crédito à habitação, oferecendo um spread de 0,39 pontos percentuais, entre outras vantagens. Este banco inglês há muito que tem vindo a apostar neste produto, apresentando sempre soluções competitivas.

Entre as várias hipóteses actualmente existentes no mercado, o consumidor português deverá ter em atenção que o seu caso concreto poderá não beneficiar da solução mais favorável anunciada pelas campanhas em curso. A negociação de um crédito à habitação é cada vez mais um processo para o qual concorrem vários factores, como o relacionamento do cliente com o banco, o seu nível de cross-selling, a par da idade e da taxa de esforço.

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