Caminho de cooperação e compromisso simbiótico em detrimento do isolacionismo territorial

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Encetámos, em 2017, um projeto de desenvolvimento social, inclusivo e mobilizador em que as pessoas se encontram no centro da ação, colocando em prática um programa que incutiu e contribuiu para o reforço da confiança das capacidades individuais e coletivas dos nossos concidadãos e para a afirmação da nossa história e dos nossos valores, em suma, da nossa alma e sentir flaviense.

Acreditamos que o orgulho e exaltação da nossa história e percurso coletivo comum não nos devem fazer voltar sobre nós próprios, mas antes fortalecer os laços de relacionamento institucional, político, económico, cultural e desportivo. Nesse contexto, os últimos anos demonstraram que o caminho da valorização dos processos de cooperação e da busca de distintos horizontes e diferentes soluções permitiram abrir um caminho de luz e um horizonte de esperança para um território que muitos consideravam em vias de extinção.

Para os mais céticos quanto aos méritos da proposta de desenvolvimento territorial empreendido pela CIM do Alto Tâmega, bastará que dediquem alguma atenção ao trabalho que esta entidade tem levado a cabo, particularmente nos domínios do turismo, do empreendedorismo, da capacitação de empresários e empresas, da investigação dos recursos endógenos, mas sobretudo na definição de uma marca e sentir comum aos seis municípios.

Foi neste âmbito que se criaram novas soluções para muitos dos problemas estruturais do território. Desde a construção e funcionamento de um Posto de Turismo comum ao Alto Tâmega, até à instanciação de um Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia da Água, do Laboratório Colaborativo na área temática da Água, trazendo para o território recursos humanos altamente qualificados e investigação do mais alto nível a um território onde essa dimensão era uma miragem, até ao mais recente lançamento das sementes para que o principal parceiro do AquaValor, o Instituto Politécnico de Bragança, instale, na única NUT III do país onde não existia ensino superior público, uma Escola Superior de Hotelaria e Bem-Estar do Alto Tâmega, em Chaves.

Ainda no domínio da cooperação territorial, acreditamos nas enormes vantagens de um aprofundamento da relação transfronteiriça, sendo necessário, sob o nosso ponto de vista, dar passos significativos para que a relação entre o Alto Tâmega e a Província de Ourense se possa solidificar. Este processo de cooperação transfronteiriça deverá, na nossa perspetiva, culminar na concretização de uma Euro região, que permita ganhar escala para concretizar projetos indutores de dinâmica territorial.

A relevância crescente dos processos de integração territorial de índole transfronteiriça, nos diferentes modelos e formatos institucionais, poderá propiciar, na nossa opinião, condições para financiamentos de projetos e ações de relevo para os respetivos territórios em diferentes domínios, designadamente no âmbito da saúde, proteção civil, turismo, mobilidade e transportes, ambiente e cidadania.

Pela centralidade estratégica que representa o recurso ÁGUA, em particular a mineral natural e termal, para o desenvolvimento do território, continuamos a acreditar que a Água é o elemento identitário dos dois lados da fronteira, sendo considerada a pedra angular da estratégia comum ibérica de sucesso para os nossos territórios.


Presidente da Câmara Municipal de Chaves

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