"Vamos fazer a monitorização do aumento da procura nos centros de saúde e hospitais e, se for necessário, ou seja, se aumentar a média diária da procura nas unidades, então haverá um reforço das equipas clínicas e o alargamento das consultas", disse a delegada de saúde regional, em declarações à agência Lusa..Filomena Araújo, que dirige também o Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, afirmou que "os profissionais estão todos alertados e as unidades dispõem de todos os mecanismos" para que esse reforço possa ser implementado.."Estamos a divulgar as informações para que as pessoas se protejam e para que os profissionais aconselhem os seus utentes e temos o plano de contingência regional para o verão ativado desde maio", afiançou..No Alentejo, segundo Filomena Araújo, as temperaturas elevadas no verão "são normais" e "as pessoas já estão adaptadas", pelo que não se costuma registar um aumento da procura nas unidades de Saúde, mas o calor que está previsto, a partir de hoje, para os próximos dias "é atípico".."Normalmente, no Alentejo, quando há muito calor como o que se prevê, nesta altura do ano, não temos grande problema. Este ano, é que não é o caso porque não temos tido um verão normal, tem sido mais fresco e, por isso, não houve ainda uma adaptação fisiológica das pessoas a estas temperaturas", enfatizou..Por isso, perante este "aumento súbito" das temperaturas, "podem vir a surgir alguns problemas", admitiu a delegada de saúde regional, alertando que, além do calor, as previsões apontam para "outros três fatores de risco", a partir de hoje: "Temos as poeiras do norte de África, que aumentam os problemas respiratórios, e níveis de ozono e de raios ultravioleta muito elevados"..Lembrando que "os efeitos das ondas de calor" se começam a sentir "48 a 72 horas" após o início do aumento das temperaturas, Filomena Araújo avisou que, para evitar o recurso às unidades de saúde, a prevenção deve ser uma prioridade para a população, sobretudo para os grupos de risco, como idosos, crianças ou doentes crónicos.."O que importa é que cada pessoa se proteja. São tudo coisas mais ou menos simples, que passam por evitar a exposição direta ao sol nas horas de mais calor, não descurar a hidratação, usar roupas largas e manter a casa fresca", exemplificou..Reforçar a vigilância de idosos e doentes crónicos que vivem sozinhos, moderar as atividades ao ar livre e ter atenção aos avisos das autoridades de saúde, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Autoridade Nacional de Proteção Civil são outros dos conselhos da delegada de Saúde..O IPMA alertou que, nos próximos dias, as temperaturas máximas em Portugal vão estar "muito acima dos valores normais para a época" e podem atingir "máximos absolutos em vários locais", com máximas a rondarem os 45ºC e as mínimas a aproximarem-se dos 30ºC.