Caíram que nem tordos

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Ele há dias que se passam comentando a mensagem de Ano Novo do Presidente. Ele há dias em que o primeiro-ministro diz que o Brasil é "uma das prioridades mais altas da política externa de Portugal". Ele há dias, assim, difíceis para encontrar assunto. Felizmente há deuses próprios para os cronistas e cai-lhes sempre alguma coisa. Caiu em Beebe, vilória do Arkansas, Estados Unidos: na madrugada em que virou o ano, houve uma chuva de mil pássaros mortos. Caíram que nem tordos, e eram tordos-sargentos, pássaros negros de asas pintalgadas de vermelho. Mistério. Beebe fica no condado de White (agora pintalgado de mistério) e tem esse nome por causa de um Roswell Beebe, político que trouxe o comboio para o Arkansas. Roswell? Sim, como do "caso Roswell", aquele outro mistério. Em 1947, caiu um disco voador na região de Roswell, no estado do Novo México. Verdade? Lenda? Não sei, só estou cá para lembrar a coincidência. Mas deixem o nome próprio e fiquemos no apelido raro, Beebe. Há um Beebe famoso, William Beebe (1877-1962), que nada teve a ver com o Arkansas. Famoso porquê? Era ornitólogo, especialista de pássaros. Andou pelo mundo à procura de espécies raras e escrevia sobre elas. Foi ele que aventou a hipótese do tetrapteryx, o dinossauro de quatro asas, pai dos pássaros actuais. Teoria nunca confirmada. Queriam os tordos, chovendo sobre Beebe, dizer alguma coisa?

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