Cabo Verde e seus músicos ganharam visibilidade com Kriol Jazz Festival -- produtor

O produtor cabo-verdiano José da Silva considerou que Cabo Verde e seus músicos ganharam visibilidade com o Kriol Jazz Festival, que há 10 edições promove a música de inspiração crioula, num palco com grandes nomes da música internacional.
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"Os músicos de Cabo Verde ganharam porque o primeiro objetivo do festival era trazer músicos de outras terras, que trabalham dentro da música tradicional, como nós, e mostrar como conseguem soltar-se, fazer jazz dentro da sua música. No início muita gente criticou, por considerar que não era jazz, mas a filosofia do jazz é um músico livre dentro de um ritmo, de ter capacidade de improvisar", defendeu.

José (Djô) da Silva falava em entrevista à agência Lusa no âmbito da 10.ª edição do Kriol Jazz Festival (KJF), organizado pela Câmara Municipal da Praia (CMP) e pela produtora Harmonia, de que é o dono.

O festival, que já é uma marca e um mercado internacional, tem por objetivo promover a música de inspiração crioula originária de todas as ilhas, em que os artistas cabo-verdianos partilham o palco com grandes nomes de África, Europa, Américas e Caraíbas.

Segundo Djô da Silva, a música cabo-verdiana era "um bocadinho fechada" dentro da sua tradição e, através do KJF, mostrou que é possível fazer tradição com vários improvisos e com liberdade de músicos dentro dos ritmos de sua terra.

"Esse era o objetivo e acho que atingimos, porque a partir do terceiro ano os músicos entenderam, passaram a participar nas Jazz Sessions, passaram a querer estar no KJF porque viram que era um lugar onde poderiam se exprimir", salientou o empresário, dizendo que Cabo Verde ganhou ainda em termos da sua imagem internacional.

"Conseguimos trazer 'media' do mundo inteiro para Cabo Verde, grandes artistas, grandes televisões e jornais, conseguimos um dossiê de imprensa impressionante. O país ganhou em termos de visibilidade com isso", prosseguiu o responsável pela carreira de Cesária Évora, a cantora de maior reconhecimento internacional do arquipélago.

"Antes, quem nos dava imagem lá fora a nível de cultura era a Cesária e desde o seu falecimento [em 2011) tínhamos que encontrar outros, e o KJF é um dos eventos que dá visibilidade internacional ao país", sustentou à Lusa.

O produtor disse que o festival começou como uma "ideia simples", mas que nunca pensou que chegasse à 10.ª edição e tornar-se tão grande e tão reconhecido internacionalmente.

Mas a ambição não termina por aqui e Djô da Silva adiantou que outro objetivo é levar o KJF ao estrangeiro, estando em "negociações bem avançadas" com a ilha de Reunião, China e Lisboa.

"Se conseguirmos fechar estes acordos, o festival vai ser ainda mais internacionalizado porque é um conceito que viaja", perspetivou.

O KJF foi classificado entre os 25 melhores festivais do mundo pela revista inglesa SONGLINES, mas Djô da Silva considerou que "há sempre espaço" para melhorar.

"Temos estado sempre a melhorar", disse, afirmando que a 10.ª edição é "especial" porque é a primeira vez que há uma criação do festival, denominado Kriol Band, que junta um grupo de músicos que já passaram pelo festival para um espetáculo na última noite.

Djô da Silva disse que se o espetáculo for do agrado de todos, o "sonho" é levar este "filho" do Kriol Jazz a outros festivais mundiais, em mais uma forma de internacionalizar o evento.

O produtor disse que o KJF apresenta uma "música diferente", o que tem levado a uma "descoberta" por parte do público cabo-verdiano, que considera "tem crescido" com o festival.

"Os artistas ficam sempre admirados com o conhecimento do nosso público, da forma como apreciam a música e como a consomem", referiu.

A nível económico, disse que até agora não quantificou todos os impactos, mas não tem dúvidas em afirmar que o festival tem dado retorno para a cidade da Praia, fazendo com que a Câmara da capital continue a ser um parceiro.

Segundo o mentor do Kriol Jazz, o grande desafio agora é envolver os negociantes do Plateau, centro histórico da Praia, para se apropriarem do festival e serem eles também parceiros do evento.

Djô da Silva também pretende levar o festival a mais zonas da capital cabo-verdiana, tal como acontece há quatro anos com a Zona Kriol, bem como a outras ilhas, como objetivo descentralizar o palco e levar música diferente a outros públicos.

O KJF arrancou no sábado com a Zona Kriol e hoje, coincidindo com o encerramento do Atlantic Music Expo (AME), prossegue com a Marcha de Alfama (Portugal) e de atuações dos dois grupos cabo-verdianos homenageados (Tubarões e Bulimundo).

Na sexta-feira o palco está reservado a Mário Lúcio (Cabo Verde), Nathalie Natiembé (Reunião), Stanley Jordan (EUA) e Seu Jorge (Brasil), enquanto no sábado vão atuar Sara Tavares (Cabo Verde/Portugal), Ayo (Alemanha), Bantu (Nigéria) e o Kriol Band.

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