Bryce Dallas Howard

Há uma espécie de pose antiquada de princesa em Bryce Dallas Howard, a actriz que ficou famosa depois de substituir Nicole Kidman em <em>Manderlay,</em> e de ter conquistado tudo e todos em <em>A Vila,</em> um dos filmes controversos de M. Night Shylaman. E essa pose fica-lhe bem. Bryce está no trono de Hollywood também por ser filha de Ron Howard, realeza dos filmes de grande orçamento. Agora, regressou como mulher de armas em <em>Exterminador Implacável: Salvação,</em> disponível no final do mês em DVD. Em Paris abriu-nos a alma.<br />
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Diz-se que é preciso ser fã da série Terminator para gostar deste filme. Também é necessário ser fã para aceitar participar no elenco?
Sempre fui fã desses filmes. McG, o realizador, convidou-me, e uns dias depois já estava no plateau a filmar. Penso que fui a última a ser convidada, foi óptimo. Não foi um papel pelo qual eu tivesse lutado, tinha acabado de ser mãe. Pensei que não iria querer fazer nenhum filme durante uns tempos.

Em termos narrativos, com a série de TV e com o último filme, este novo Exterminador não chega numa altura que possa confundir o público?
Alguns dos produtores da série de TV trabalharam neste filme. Confesso que nunca vi nenhum episódio, mas a fita respeita o que se passou nos últimos filmes. O que é sensacional neste Terminator: Salvation é que começa mesmo logo a seguir ao Dia do Julgamento, algo que nunca antes tínhamos visto. Logo, penso que se torna oportuno uma nova ordem de conceito da história a partir de agora.

Qual a marca maior que vai reter do seu encontro com Christian Bale?
É uma pessoa incrivelmente protectora. Um cavalheiro! É um actor que está sempre muito concentrado na narrativa. Por sinal, mostrou-se bem protector da minha personagem. Muitas vezes achava que eu não devia fazer isto ou aquilo para não rebaixar a minha personagem. Estava muito preocupado com todas as personagens com que John Connor contracenava. Claro, nos outros filmes, a personagem feminina, a Sarah Connor, era muito poderosa. Sarah Connor é uma personagem-ícone.

Depois de o mundo inteiro ter visto na internet uma explosão emocional com um elemento da equipa técnica, talvez muitos pensem que ele não estava equilibrado psicologicamente…
Isso foi uma pena. Não representa mesmo o que se passava naquelas filmagens. Christian Bale pediu logo desculpas no próprio dia. Infelizmente, quem viu essas imagens na net não percebeu o contexto daquilo. Tratava-se de uma cena muito intensa e surgiram complicações técnicas. Penso que todos perceberam porque é que ele se passou… Mais uma vez, enfatizo: ele pediu logo desculpas e sentiu-se muito mal com o que fez. Foi simplesmente um momento, nunca mais nada daquilo voltou a verificar-se! Não tem nada que ver com aquilo que o Christian é como ser humano. Penso que ele explodiu daquela maneira porque estava com a personagem na mente. Mal percebi que as imagens estavam na net vi logo que iriam interpretar mal tudo aquilo! Havia tão pouco tempo para rodarmos aquela cena tão importante. Estavam lá para aí uns setecentos figurantes. Meu Deus! Era tanta a pressão e ao Christian não convinha sair da personagem… Mas não há dúvida de que ele sentiu que levou demasiado longe a sua ira e pediu desculpa. Ficámos muito desiludidos com a invasão da nossa privacidade que esse vídeo veio revelar. Bem, fiz cada coisa no Manderlay, do Lars von Trier! Se fossem retiradas do contexto não sei o que teria sido de mim!! A minha carreira estaria arruinada. É por isso que cada vez mais há sets vedados aos estranhos e à imprensa.

Nesta altura da sua carreira o que representa este papel?
Nunca se sabe. Quando fui nomeada para o Golden Globe não estava à espera. Essas coisas são mesmo assim. O impacte dos filmes é sempre surpreendente. Aprendi a nunca esperar nada. Mas estou muito orgulhosa deste filme. Depois de ter sido mãe fiquei com dúvidas sobre o que isso me iria trazer enquanto actriz, ou seja, comecei a pensar sobre o tipo de papéis que iria conseguir. Obviamente, este papel é um golpe de sorte.

Que tipo de critério tem para aceitar um papel?
O mais importante para mim é o cineasta. A prioridade é estar num projecto visionário. Acredito sempre nas visões dos artistas. Adoro trabalhar com cineastas diferentes, adaptar o meu estilo às suas visões. Claro que também olho sempre para as personagens. Quero, obviamente, ter bons papéis.

Se houver mais um Terminator quer voltar a esta personagem?
Com toda a certeza!

Quando não está a trabalhar para um filme tem outro tipo de actividades?
Escrevo muito. Neste momento, por acaso, houve um estúdio que comprou o meu argumento. Fiquei muito feliz, estupefacta! Além de guiões, escrevo um diário. Também gosto de escrever pequenos contos e alguma poesia.

Essa actividade da escrita ajuda a actriz?
Tudo está ligado, ainda que não saiba se tenho talento para escrever. O meu talento na escrita ainda está no forno, a aquecer. Vamos ver. Esse argumento está a ser trabalhado com um outro argumentista que funciona como meu parceiro. Ele é muito bom.

Por muito que o seu pai, Ron, seja um cineasta ocupado, gostaria de saber se lhe deu o guião para ele examinar.
O meu pai é um homem ocupado mas, acima de tudo, é meu pai! Ainda no outro dia a minha irmã me perguntou se eu tinha pedido conselhos ao pai. Reparei que nunca falamos muito nisso. E aí percebemos que nunca fazemos isso. Ela é actriz, também, e nunca nenhuma de nós lhe pediu uma cunha. O meu pai evoca um certo poder… mas, ao mesmo tempo, respeita imenso o meu processo de trabalho. Creio que por causa disso nem ele nem a minha mãe nos dão conselhos. E ao não darem conselhos nós também ficamos com a tendência de não os pedir. Não deixa de ser absurdo... Caramba: ele está neste negócio há cinquenta anos, porque é que não lhe perguntamos coisas?! Há pouco falava com ele sobre a imprensa e senti-me uma ignorante. O que é espantoso é que os meus pais dão os melhores conselhos sobre paternidade. A primeira recomendação que o meu pai me deu depois de ser mãe foi a mesma que o Alan Alda lhe deu: por muito que ponhas paixão e dedicação num filme, tens de pôr sempre mais no teu filho. E na nossa família nós amamos o nosso trabalho. Evidentemente, essa regra surge de forma natural. Depois disso, disse-me para manter uma boa linha de comunicação com o meu filho. Não é por acaso que todos nós lá em casa fomos educados de forma diferente. Por exemplo, os meus irmãos, ao contrário de mim, não gostavam de ir às filmagens do papá. Quando me punham de castigo significava eu não poder ir às filmagens!

Entretanto, fez The Loss of a Teardrop Diamond, que parece que desapareceu…
Às vezes, acontece isso. Mas eu adoro esse filme, gosto muito dessa personagem. É a tal coisa, nunca se pode prever nada neste negócio.

Sente que cada vez controla menos a sua carreira?
Pois, não controlo nada, mas é isso que dá pica! Funciona como um jogo. Apenas podemos dar o nosso melhor. Depois, é ver o que resulta de tanto factor variável. É preciso é ter uma certa flexibilidade. Um actor quase que tem de ser um atleta, tem de verdadeiramente entrar no jogo e conservar uma atitude positiva.

Acredito que deva ter sido duro para si quando A Senhora da Água se transformou num falhanço de bilheteira…
Não foi duro para mim, apesar de querer que as pessoas tivessem respondido de forma positiva. Mas o que vou guardar desse filme foi a espantosa experiência que tive com o Night Shyamalan. Ficámos muito amigos e ele escreveu o papel comigo em mente. Foi uma honra. Na verdade, penso que é um filme adorável, apesar de ser alternativo e diferente de tudo o resto. Tenho tanto orgulho em Lady in the Water… Como lhe digo, não podemos controlar os resultados.

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