Brasil/Eleições: Haddad responsabiliza elite económica pela vitória de Bolsonaro

O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) derrotado na segunda volta presidencial do Brasil, Fernando Haddad, responsabilizou hoje a elite económica do Brasil pela eleição de Jair Bolsonaro.
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Em entrevista ao jornal brasileiro Folha de S. Paulo, Haddad disse que hoje no Brasil o autoritarismo está a crescer dentro das instituições democráticas e que já esperava a ascensão da direita, mas não da extrema-direita personificada por Bolsonaro.

"Eu imaginava [há dois anos] que o [João] Doria", atual governador de São Paulo, "fosse ser essa figura [que se elegeria Presidente]. Achava que a elite económica não abriria mão do verniz que sempre fez parte da história do Brasil. As classes dirigentes nunca quiseram parecer ao mundo o que de facto são", disse à Folha de São Paulo.

O líder derrotado do PT também diagnosticou que o país está a ser gerido por aquilo que classificou de "neoliberalismo regressivo" decorrente da crise económica em que o país vive.

"É uma onda diferente da dos anos 1990. Ela chega a ser obscurantista em determinados momentos, contra as artes, a escola laica, os direitos civis. É um complemento necessário para manter a agenda económica do Bolsonaro, que é a agenda [do Presidente Michel] Temer radicalizada", disse.

Para Haddad, "essa agenda não passa no teste da desigualdade. Tem baixa capacidade de sustentação. Mas, acoplada à agenda cultural regressiva, pode ter uma vida mais longa. Pode ter voto".

Sobre as expectativas em relação ao Governo de Bolsonaro, que tomará posse como Presidente em janeiro, Haddad considerou que este novo projeto neoliberal irá ter o seu sucesso dependente de muitos fatores.

"Haverá a tentativa de compra de tempo pela alienação de património público". Com "dinheiro, você ganha tempo para consolidar uma base política para promover as reformas liberalizantes", explicou.

Questionado sobre a possibilidade do futuro Governo de Bolsonaro, admirador do regime militar que governou o Brasil entre 1864 e 1985, ser uma ameaça à democracia, o candidato derrotado do PT considera que o risco maior será pela contaminação do sistema democrático.

Quanto ao seu futuro, Haddad também afirmou que não pretende dirigir o PT, preferindo apostar em frentes de defesa dos direitos sociais e civis.

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