"Brasileirotugão" começa com sete portugueses e Abel à procura do bis

No "país do futebol" serão sete os técnicos portugueses a iniciar mais uma edição de um dos campeonatos mais competitivos do mundo, não só pelo equilíbrio no relvado como também pela densidade competitiva que mal dá tempo para respirar. Palmeiras tenta defender o título.
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O campeão Palmeiras abre este sábado mais uma edição do Brasileirão. Com Abel Ferreira ao leme, o Verdão vai tentar, pela terceira vez na história, tornar-se bicampeão, isto numa competição que vai contar com um número pouco habitual de treinadores portugueses: sete equipas serão lideradas por técnicos nacionais e o número só não é mais elevado porque Vítor Pereira foi despedido do Flamengo esta semana, depois de perder a final do estadual carioca (sétimo desaire em 18 jogos e quarta prova perdida no ano). Depois de Jorge Jesus ter voltado a ser falado para regressar, o eleito acabou por ser o argentino Jorge Sampaoli.

Esta edição da prova vai contar ainda com o regresso de três grandes do futebol do país que tinham caído na Série B: Cruzeiro, Grémio e Vasco da Gama, isto além do Bahia que, não tendo o mesmo prestígio, também foi campeão uma vez. Dos 20 participantes na Série A este ano, 15 já levantaram no mínimo um troféu de vencedor, o que só atesta a fama da competição.

Dificilmente existirá em todo o mundo uma Liga tão equilibrada e onde a máxima "não há jogos fáceis" seja mais adequada - não só pelo valor das equipas, como pelo desgaste a que estão sujeitas, por via de um calendário muito apertado (a conclusão está prevista para o primeiro fim de semana de dezembro), como pelas longas viagens que têm de efetuar muitas vezes. Para quem participa na Libertadores e está em prova na Copa do Brasil, a situação ainda fica mais complicada, com os técnicos a terem de gerir o plantel com "pinças", arriscando uma ou outra competição.

Desde a passagem de Jesus pelo Flamengo que a aposta em treinadores portugueses por parte das equipas brasileiras tem sido uma constante e, como já foi referido, este ano serão sete - além de dois argentinos. Ou seja, quase metade dos conjuntos terão um líder estrangeiro, reflexo não só da globalização como também de algum descrédito em que caíram os treinadores do país, considerados pouco atualizados para as exigências do futebol moderno.

À cabeça está Abel Ferreira (com Vítor Castanheira, Carlos Martinho, João Martins e Tiago Magalhães da Costa), que acabou de conquistar o seu oitavo troféu (o Paulistão) pelo Palmeiras em cerca de dois anos e meio no clube e é o campeão em título. Mesmo tendo perdido Gustavo Scarpa e Danilo, duas peças fundamentais, o português manteve a estrutura e vai poder trabalhar com o prodígio Endrick, de 16 anos, que o Real Madrid já garantiu (a partir de julho de 2024). O guarda-redes Weverton, o central paraguaio e capitão Gustavo Gómez, o outro central Murilo, o médio Zé Rafael, os extremos Dudu e Rafael Veiga e o avançado Rony vão continuar, pelo que a espinha dorsal se mantém - a equipa paulista será assim um dos candidatos ao título, com Flamengo, Fluminense (de Fernando Diniz), Atlético Mineiro (Eduardo Coudet), Internacional (Mano Menezes) e Grémio (Renato Gaúcho). Corinthians (onde atua o único jogador português, Rafael Ramos) e Santos parecem, à partida, descartados desta luta.

A primeira prova para Abel é já hoje, na receção a um Cuiabá também entregue a um português: Ivo Vieira (com Pedro Andrade e Honorato) que, à semelhança de Abel, também venceu o seu estadual, o de Mato Grosso. Para o técnico madeirense, no entanto, o objetivo principal passa pela manutenção, tal como António Oliveira, o filho de Toni, conseguiu no ano passado. Já este rumou ao Coritiba (onde vai contar com Rodrigo Pinho, ex-Benfica), com a mesma missão em vista - tendo um olho na qualificação para a Copa Sul-Americana, que contempla as equipas classificadas entre o 9.º e o 14.º lugar.

Mais ambiciosos serão os objetivos dos históricos Botafogo e Cruzeiro, naquela que será a 21ª edição do campeonato em pontos corridos (a última final foi ganha pelo Santos ao Corinthians, no famoso jogo das pedaladas de Robinho sobre Rogério, que rumaria mais tarde ao Sporting). Os cariocas, com Luís Castro ao leme (acompanhado por João Brandão, Daniel Correia, Vítor Severino, Nuno Batista e João Paulo Costa) e um punhado de jogadores que passaram pelo futebol português (como Tiquinho Soares, Gabriel, Piazón, Danilo Barbosa ou Gustavo Sauer), vão procurar melhorar o 11º posto de 2022 e chegar a um lugar que lhe permita discutir a Libertadores do próximo ano.

Já os mineiros, de regresso após o calvário da Série B, apostaram no português Pepa (que terá a ajuda de Samuel Correia, Hugo Silva, Pedro Oliveira e Pedro Azevedo) para conseguirem realizar uma época de acordo com os pergaminhos do clube, ambicionando uma presença nos lugares que lhe permitam disputar a principal prova de clubes sul-americana.

Completam a lista lusitana Pedro Caixinha e Renato Paiva, dois homens com experiência no futebol latino-americano. O primeiro (com o compatriota Pedro Malta como adjunto), que passou pelo futebol mexicano e argentino, tem em mãos o Red Bull Bragantino, clube que espera conseguir uma época tranquila e voltar à Copa Sul-Americana; o segundo (coadjuvado por Nuno Presume, David Pereira, Rui Tavares e Ricardo Dionísio), depois de Equador e México, vai orientar o recém-promovido Bahia. Registo ainda para Paulo Turra, ex-jogador do Boavista e V. Guimarães, que tem a cargo o Athletico Paranaense.

Em Portugal, este verdadeiro "Brasileirotugão" pode ser seguido no Canal 11. E agora, como cantava Wilson Simonal, "O Brasil está vazio/Nessa tarde de domingo/Olha o sambão/Aqui é o país do futebol".

dnot@dn.pt

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