Bob Woodward foi primeiro a conhecer identidade de Plame

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Um alto funcionário da Casa Branca revelou a Bob Woodward a identidade da agente da CIA Valerie Plame, um mês antes de o seu nome aparecer na imprensa. Apesar de não revelar a sua fonte, o jornalista do Washington Post garantiu não se tratar de Lewis Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente, Dick Cheney. Esta confissão pode mudar o rumo da investigação iniciada há dois anos pelo procurador Patrick Fitzgerald.

Peritos, citados pelo Washington Post, garantem que o depoimento de Woodward perante a comissão de inquérito poderá ser usado pela defesa de Libby. O chefe de gabinete de Cheney é, até ao momento, o único membro da Administração acusado no âmbito do caso Plame. Em Outubro, Libby apresentou a demissão após ter sido acusado de obstrução à justiça, perjúrio e falso testemunho. Revelar a identidade de um agente da CIA é um crime federal. O conselheiro do Presidente George W. Bush, Karl Rove, testemunhou várias vezes, mas não foi acusado.

Woodward teve contacto com Libby em Junho de 2003, mas garantiu nunca terem falado sobre a profissão de Plame. Os seus advogados planeiam usar este testemunho para provar que Libby não estava obcecado em divulgar a identidade da agente da CIA.

A comissão de inquérito procura apurar quem foram os responsáveis da Administração Bush a ter revelado a identidade de Plame, numa manobra para prejudicar o seu marido, o ex-embaixador Joe Wilson. Este criticara publicamente as razões invocadas pelos EUA para invadirem o Iraque.

Famoso pelo caso Watergate, Woodward pediu desculpas ao editor, Leonard Downie, por não ter revelado que conhecia a profissão de Plame desde 2003. "Procurava proteger a minha fonte", afirmou.

O jornalista garantiu ter pressionado, sem sucesso, a fonte para revelar a sua identidade. Vários dirigentes já negaram, através dos porta-vozes, serem essa fonte. Foi o caso do ex-secretário de Estado Colin Powell e do ex-director da CIA George Tenet. Um funcionário da Casa Branca garantiu não se tratar de Bush, nem do seu conselheiro Dan Bartlett. Dick Cheney não se juntou ao coro de negações.

Nos últimos meses, Woodward criticou o inquérito de Fitzgerald. Na MSNBC afirmou "No fim, não vai dar em nada", e na Rádio Nacional garantiu que o procurador cometeu "um grave erro" ao investigar Miller, afirmando não haver ali "qualquer prova de crime". Para o colunista do Washington Post Dan Froomkin, a revelação de Woodward "chama a atenção para a relação especial entre [o jornalista] e a Administração Bush".

discurso. Desacreditado pelo Plamegate, Dick Cheney saiu em defesa da política de Bush no Iraque, afirmando que as acusações lançadas pelos democratas, segundo as quais o Governo manipulou informações antes da guerra, são "desonestas" e condenáveis". O vice- -presidente explicou que os comentários mais "irresponsáveis" têm sido feitos por pessoas que "votaram a favor do uso da força contra Saddam Hussein".

Pela primeira vez, o congressista democrata John Murtha apresentou um proposta oficial para a retirada imediata das tropas americanas do Iraque. Murtha considera que "os EUA não conseguirão mais nada no Iraque militarmente". Até agora, apenas tinha sido pedida a retirada progressiva.

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