Bitori: "O funaná é quando se dança na terra e o fumo levanta"

"Eles agora vão dizer uma data de coisas", lança Bitori, 76 anos, de acordeão ao peito, antes de um "mas" que havia de explicar o que é o funaná. Música que levou ao AME, na Cidade da Praia
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Chamam-lhe lenda viva do funaná. Bitori (Vítor Tavares, mas se perguntar por este nome ninguém conhece) usa calças de cabedal pretas e bambas. Cheira a rapé. Tem 76 anos e caminha com desenvoltura até ao café da Praça Alexandre Albuquerque, centro da Cidade da Praia, na ilha cabo-verdiana de Santiago. Praça onde está sentado a dar entrevistas há horas. Quer isto dizer: em torno dele ouve-se falar inglês, francês, português e crioulo. Dele, pouco, muito pouco.

Bitori tinha acabado de atuar com Chando Graciosa - que canta e toca ferrinho dando ritmo ao baixo e acordes de Bitori no acordeão - no palco da feira de música AME - Atlantic Music Expo, que decorreu na Praia em abril. E foi na edição passada do AME que o tunisino Samy Ben Redjeb, fundador da Analog Africa, uma editora que reedita vinil das décadas de 1960 e 70, descobriu Bitori. Agora está a planear a reedição do seu único álbum, Bitori Nha Bibinha (1997) e a agendar uma digressão.

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