Berlim quer "consequências políticas" para líder do Irão

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O vice-chanceler alemão, Franz Müntefering, anunciou ontem que o seu Governo vai pedir às Nações Unidas e à União Europeia para que haja "consequências políticas" para as recentes declarações do Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, sobre a existência de Israel.

"Aquilo que é dito pode ser um dia desejado e realizado", declarou Müntefering no final de um encontro com o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Paul Spiegel, ontem em Berlim.

O dirigente social-democrata, que é igualmente ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais, referia-se a declarações de Ahmadinejad colocando em causa a natureza do holocausto e sugerindo que a Alemanha e a Áustria acolhessem o Estado de Israel nos seus territórios, já que o "mal contra os israelitas" sucedera na Europa e não no Médio Oriente.

"Se a Alemanha e a Áustria cederem duas ou três das suas províncias ao regime sionista, o problema ficará resolvido de uma vez por todas", disse o Presidente iraniano, referindo ainda que, assim, os palestinianos deixariam de ser oprimidos pela presença do Estado de Israel no Médio Oriente.

Aquele dirigente iraniano referiu-se ainda em termos elogiosos aos historiadores revisionistas ocidentais, que negam a existência do holocausto, dizendo depois que estes "são duramente perseguidos , condenados e presos" quando apresentam "provas históricas" que desmentem o genocídio dos judeus na Europa dos anos 40.

As declarações do Presidente Ahmadinejad provocaram uma onda de indignação internacional, com natural destaque para a Alemanha, onde o dirigente do Conselho Central dos Judeus afirmou, sexta-feira, estar-se perante as mais graves declarações feitas sobre a sua comunidade desde os discursos de Adolf Hitler. Na ocasião, Spiegel pediu ao Executivo alemão para romper as relações diplomáticas com o Irão.

Num comentário às declarações de Ahmadinejad, o vice-chanceler Müntefering considerou que o direito à existência de Israel não deve ser, de modo algum, posto em causa.

O Governo alemão anunciou, entretanto, que vai convocar o embaixador do Irão e significar-lhe que as declarações de Ahmadinejad "são inaceitáveis". Em declarações proferidas logo após a intervenção do Presidente do Irão, feitas a uma televisão iraniana quando participava, na passada semana, na cimeira da Organização da Conferência Islâmica, em Meca, a chanceler alemã, Angela Merkel, definira aquelas como "absolutamente inaceitáveis".

Mahmud Ahmadinejad venceu de forma surpreendente as eleições presidenciais em Junho, no Irão, surgindo como o representante da ala mais radical do regime islâmico.

Já em Outubro, escandalizara a comunidade internacional ao declarar, numa conferência em Teerão, que "Israel deveria ser riscado do mapa". A diplomacia iraniana teve, então, de se multiplicar em declarações para esclarecer que as palavras de Ahmadinejad se limitavam a "negar legitimidade ao Estado de Israel".

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