A 30 de setembro de 2018, o histórico CF "Os Belenenses" começava a sua segunda vida na última divisão distrital da AF Lisboa, depois de ter cortado os laços com a SAD, a golear, por 4-0, o Parque das Nações, com o avançado Ricardo Viegas, aos 32 minutos, a assinar o primeiro e histórico remate certeiro (acabaria com um hat-trick)..Este sábado, um dos dois clubes que se sagraram campeões nacionais furando a hegemonia dos três grandes, está de volta às competições profissionais, na II Liga, depois de cinco subidas consecutivas (duas delas por via administrativa)..Esse dia de 2018 ficou assim como um "momento marcante na história centenária do Belenenses, o dia em que massa associativa, direção e presidente resolveram não ficar de braços cruzados perante o mal e reagiram", segundo o presidente Patrick Morais de Carvalho assinalou ao DN: "Agora, olhando para trás, foram cinco anos incríveis, de sucesso desportivo, com cinco subidas de divisão, mas em paralelo conseguimos alertar o país desportivo para aquilo que se estava a passar"..O Belenenses é assim um caso de sucesso que pode servir de exemplo em termos desportivos a outros históricos que andam perdidos nas divisões inferiores e que sonham regressar aos escalões profissionais, casos de V. Setúbal, Beira Mar e Salgueiros, que estão a disputar o Campeonato de Portugal, e a Académica, na Liga 3..Numa competição que vai contar com muitos outros clubes que também já se distinguiram no futebol lusitano - Marítimo à cabeça, mas também Santa Clara e Paços de Ferreira (os outros despromovidos), ou Nacional e Tondela (com passagens recentes na I Liga), isto além de outro regresso, o da União de Leiria -, o Belenenses vai começar a época com uma deslocação à Vila das Aves, onde uma nova SAD, a AVS, nasceu arrebatando a licença do Vilafranquense.."Não deixa de ser um bocado irónico", adiantou o dirigente dos azuis, muito crítico da legislação que permite esta situação: "É um problema que deve ser erradicado. Tinha muita esperança que a nova lei das SAD pudesse resolver o assunto, mas infelizmente não me parece que vá ser assim, porque à última hora foi feito um acrescento na lei que vai impedir que estas questões se resolvam. Mas, acima de tudo e olhando para trás, há uma sensação de dever cumprido.e de grande alegria por voltarmos às competições profissionais.".Sobre os objetivos para uma competição que se prevê renhida, e depois de assinalar que o orçamento do clube não vai além de 1,4 ou, no máximo, 1,5 milhões de euros - "seguramente o mais baixo deste escalão" -, Patrick Morais de Carvalho defende que este "será um ano de aprendizagem": "Pretendemos estabilizar o clube na II Liga, isto sem deixarmos de lado a ilusão e o sonho de ganharmos todos os jogos. Acho que construímos uma equipa gira, competitiva. Temos tido a capacidade de fazer bons grupos, isso é algo que o dinheiro não compra. Temos história, temos a massa associativa, que é incrível, e temos a pressão que existe à volta dos jogadores e do presidente, o que para nós é muito saudável. Preferimos ser o Belenenses, vir de cinco subidas e ter responsabilidades do que jogar para ninguém.".Presidente do clube há nove anos, e após ter dito que não se recandidataria, acabou por voltar atrás e ser eleito para mais três anos no Restelo. "É muito tempo e há um cansaço grande acumulado, mas agora interessa é olhar em frente e estar nos campeonatos profissionais é algo que me dá estímulo e motivação para continuar", assegura, até porque o regresso à I Liga é, por todos os factores já referidos, um alvo a atingir. Para quando? "Não faço futurologia. Aquilo que sei é que o Belenenses não se quer vender a ninguém. Na II Liga há apenas duas SDUQ, nós e o Paços de Ferreira. A grande maioria das SAD está entregue a capital estrangeiro. Sendo assim, os sócios do Belenenses terão de ter alguma paciência, o que não nos pode retirar ambição. Iremos regressar à I Liga seguramente, não sei é quando.".O Belenenses já efetuou dois jogos oficiais esta temporada na Taça da Liga. Ganhou o primeiro, ao Famalicão (3-2), mas acabou goleado na deslocação ao Estoril (1-5) e ficou fora da prova. "Para nós, os dois jogos da Taça da Liga, e até podia ter sido só um, fizeram parte da pré-época. Foi o início de um processo que, parece-me, deu-nos esperança de que estamos no caminho certo e a construir algo importante para esta temporada", referiu..Ao leme da equipa, continua Bruno Dias, de 36 anos. "É uma pessoa metódica e organizada, com capacidade de liderança. É ambicioso, quer provar o seu valor e tem "fome" de ascender no futebol. Os seus valores casam com os do presidente e da direção, isto embora todos os treinadores estejam dependentes dos resultados, como é lógico. Estamos muto satisfeitos com o seu trabalho e a sua capacidade de unir as pontas", refere..Já sobre os adversários que vai ter pela frente esta temporada, não tem dúvidas sobre as dificuldades que o Belenenses encontrará. "Vejo que é o maior investimento de sempre, em termos financeiros, das equipas participantes, é a II Liga mais forte de sempre. No papel, e em teoria, há sete, oito, nove equipas candidatas à subida, mas depois terão de provar isso dentro do campo. No que diz respeito ao Belenenses, admito que todos os adversários com quem vamos jogar sejam favoritos, mas depois vamos ter sempre uma palavra a dizer e entrar em todos os campos para ganhar", garantiu..E a verdade é que nomes conceituados não faltam: além das equipas B de FC Porto (António Folha) e Benfica (Nélson Veríssimo), a prova contará com muita gente experiente nos bancos, como Tulipa (Marítimo), Silas (Mafra), Jorge Costa (AVS) ou Hélder Cristóvão (Penafiel), isto além da incógnita de um clube estreante, o Länk Vilaverdense..dnot@dn.pt