BCP mantém acordo comercial com a Oni depois da alienação

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O Banco Comercial Português vai manter a parceria comercial que estabeleceu com a Oni, mesmo depois de alienar a sua posição de 23,06% na operadora de telecomunicações. A garantia foi dada ontem pelo presidente da instituição financeira, Paulo Teixeira Pinto, à margem da apresentação dos vencedores dos prémios da Sociedade Portuguesa de Autores.

A manutenção do acordo vai permitir à Oni, controlada pela EDP, continuar a angariar clientes através da rede de balcões do Millennium bcp. Um canal de distribuição que representa 20% a 30% dos novos clientes residenciais captados pela empresa nos últimos seis meses, segundo dados fornecidos por fonte oficial da operadora.

"Desde que começámos a comercializar produtos da Oni o número de novos contratos disparou", resumiu Teixeira Pinto. O facto de este canal de comercialização se manter é, aliás, um dos argumentos de valorização da empresa, admitiu o banqueiro.

Também a parceria entre o BCP e a EDP se vai manter, apesar de a aproximação entre as duas instituições ter tido como pretexto a cooperação na área das telecomunicações, garantiu o banqueiro. Assim, o banco vai manter os 5,14% que mantém na eléctrica nacional, enquanto esta vai continuar a controlar 4,37% do grupo financeiro (directamente e através do seu fundo de pensões).

Para breve está prevista a alienação da Oni, processo liderado pela EDP (que possui 56,6% da operadora) mas que será feito em conjunto com o BCP, a Brisa (17,2%) e a Galp (3,2%). A operação de venda será conduzida por um banco de investimento internacional a contratar em breve e, admitiu esta semana António Mexia, presidente da EDP, deverá estar concluída depois do Verão.

"Tanto quanto sei, há vários interessados na Oni", admitiu Teixeira Pinto, sublinhando que "o ideal seria que a venda fosse feita o mais depressa possível".

Excluída está a possibilidade de a Oni vir a ser alvo de um management buy out (MBO) - processo em que uma empresa é adquirida pela gestão -, uma vez que tal poderia prejudicar o interesse dos actuais accionistas da operadora.

Várias entidades têm sido referidas como possíveis candidatas à compra da empresa de telecomunicações, que os analistas avaliam em 120 milhões de euros e que tem uma dívida de 300 milhões.

A sueca Tele2, a Cabovisão, a AR Telecom do empresário João Pereira Coutinho e fundos de private equity (capital de risco) internacionais têm sido apontados como potenciais interessados.

No próximo mês de Julho, o banco encarregue da operação vai receber as propostas não vinculativas de aquisição da Oni. Num momento posterior serão apresentadas as ofertas firmes, que poderão ainda vir a ser objecto de acerto numa fase final do processo. C

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