BCE avisa Portugal. Apoios contra a crise estão mal desenhados e podem agravar inflação

Se a maioria dos apoios não é dirigida só a quem realmente precisa, se há medidas que podem prolongar-se mais do que se diz e se muitas falham no desincentivo ao consumo de energia, então pode ser difícil descontinuá-las e isso significa mais despesa e dívida no futuro, temem BCE e Comissão Europeia
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Portugal desenhou mal os apoios contra a crise inflacionista e energética concedidos em 2022 e a conceder este ano: o pacote global de apoios às famílias e empresas para estes dois anos em causa não respeita a chamada "regra dos três T", sinaliza o Banco Central Europeu (BCE) num estudo em que se debruça sobre os Orçamentos do Estado dos vários países e os avisos recentes da Comissão Europeia (BCE) em matéria orçamental e económica.

A regra que o BCE deseja ver cumprida é a que dita que os pacotes de ajuda dos governos são desenhados de tal forma que são bem direcionados ("targeted", em inglês), adaptados ou desenhados à medida ("tailored") e temporários ("temporary"). Só esse confere a mais elevada "qualidade" aos orçamentos num tempo de crise como este, defende o banco central dos 20 países do euro.

A instituição liderada por Christine Lagarde diz que "é importante" que esta regra se verifique das medidas do governo para não se gerarem mais pressões inflacionistas, não destabilizar a sustentabilidade da dívida pública e serem políticas amigas do crescimento.

Um trabalho assinado esta semana pelos economistas do BCE Johannes Simeon Bischl, Stephan Haroutunian, Sebastian Hauptmeier e Steffen Osterloh, que depois foi incluído no novo boletim económico da instituição confirma que Portugal se destaca na recente avaliação da Comissão Europeia como o único país com dívida muito elevada que está em risco claro de não vir a cumprir as regras orçamentais europeias por causa das medidas da energia.

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