Bastonário: só DGS pode esclarecer se mortes são normais

Apenas conhecendo número de casos de morte fetal das últimas semanas e quantos ocorreram em grávidas vacinadas é que se podem tirar conclusões, alerta.<br />
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As mortes de fetos em grávidas vacinadas nos últimos cinco dias levam o bastonário da Ordem dos Médicos a pedir explicações à Direcção-Geral da Saúde (DGS). Pedro Nunes diz que só a DGS tem os dados que permitem perceber "com clareza se a situação é normal ou anormal".

Desde sábado foram conhecidos três casos de grávidas que tinham sido imunizadas e perderam os bebés. Segundo Pedro Nunes podemos estar perante uma coincidência, mas "há que avaliar muito bem, nomeadamente em termos estatísticos, se está a haver ou não um aumento destes casos". E, se houver, se este se está a verificar em grávidas vacinadas.

No entanto, o Ministério continua sem revelar quantas morte fetais foram registadas nas últimas semanas, nem quantas envolveram grávidas que tinham recebido a vacina. Aliás, ainda não há dados sobre quantas pessoas foram imunizadas desde que começou a campanha de vacinação, a 26 de Outubro. O director-geral da Saúde, Francisco George, tem recusado comentar estes casos, remetendo para as estatísticas de morte fetal entretanto publicadas no site da DGS. De acordo com estes números, no ano passado morreram 340 fetos com mais de 22 semanas - 28 por mês.

Pedro Nunes considera também importante saber quantas grávidas já foram vacinadas porque se a percentagem foi muito grande, será normal que a percentagem de fetos mortos em mães vacinadas seja também elevada.

Por outro lado, o bastonário da OM lembra que a medicina "não se baseia em certezas absolutas", mas sim "na procura do menor risco". Com os dados que existem pode-se dizer que as grávidas correm mais riscos se não forem vacinadas, tal como alerta a DGS, em quem confia "plenamente". "Não há motivos para preocupação mas estamos atentos", acrescenta o presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da OM, João Silva Carvalho.

Segundo a Agência Britânica de Medicamentos (MHRA) disse à Lusa, já foram registados seis casos de morte fetal na Europa após a vacina, mas nenhuma ocorreu no Reino Unido, onde é usada a mesmo medicamento que em Portugal.

A MHRA diz que tendo em conta a taxa de morte fetal no país (5,4 por mil) e o facto de as grávidas serem prioritárias, "é inevitável" que estes casos ocorram em algumas mulheres depois de receberem a vacina".

"Se 100 mil tiverem sido vacinadas prevemos que mais de 500 destas gravidezes resultem em morte fetais a certa altura da gestação, independentemente da vacina", estima a Agência.

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