Barcos-casa do Alqueva já receberam 2400 clientes

As 15 embarcações disponíveis para 'morar' no maior lago artificial da Europa têm capacidade para alojar 12 pessoas e têm um GPS e sonda especial. Maioria dos turistas são portugueses, mas há muitos estrangeiros
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Enquanto a família espera no restaurante, impaciente pelo momento de se lançar à água de Alqueva, Rui Araújo faz o "check in" na marina de Amieira. Dentro em breve irá participar numa formação de duas horas que o habilitará a comandar um dos 15 barcos-casa que se tornaram presença habitual no maior lago artificial da Europa. "Espero conseguir dar uns bons mergulhos e apanhar um achigã de um quilo", diz Rui Araújo ao DN.

De Lagos, acompanhado pela mulher, chega Luís Carracha. Em dia de aniversário - celebra 46 anos - é cumprimentado efusivamente por dois casais amigos. A marina foi escolhida como ponto de encontro. Dali partiram para um fim-de-semana de aventura à descoberta de ilhas desertas, animais no seu habitat natural e monumentos pré-históricos.

"Vão ser dois dias em cheio com esta gente maravilhosa e a esperança de apanhar um peixe do tamanho de uma baleia", brinca Luís Carracha que, por mero acaso, até tirou o curso de "patrão de costa", formalidade dispensada para conduzir este tipo de embarcação.

"Não é necessária carta de marinheiro", assegura Eduardo Lucas, administrador da Amieira Marina, empresa que em 2006 lançou à água de Alqueva os primeiros barcos-casa.

Passados três anos, durante os quais foram investidos cerca de quatro milhões de euros, está satisfeito com a aposta: "Passámos de 5 para 15 barcos, apesar da crise projectamos atingir este ano os 2400 clientes e fomos pioneiros na criação deste destino turístico".

Com capacidade para alojarem entre 2 e 12 pessoas, os barcos estão dotados de uma série de condicionantes técnicas que possibilitam uma navegação segura, mesmo para quem nunca segurou o leme de uma embarcação. "Cada barco tem GPS com a cartografia da barragem toda marcada para ninguém se perder e existe uma sonda para quando o piloto decide saír do caminho definido sem correr o risco de encalhar em objectos não visíveis à superfície, a velocidade é limitada e dispomos de um sistema de comunicações em toda a zona da barragem", explica o administrador da Amieira Marina.

Segundo Eduardo Lucas, dois terços dos clientes são portugueses, os outros chegam da Europa, particularmente de Espanha, Alemanha e França, país onde os barcos foram construídos. "Somos procurados por famílias ou por grupos de amigos apostados em descobrir uma oferta diferente", explica o responsável, acrescentando: "No caso dos estrangeiros, temos também um importante segmento sénior, acostumado a actividades de lazer e que utiliza os barcos nas épocas mais baixas para beneficiar de preços mais aliciantes"

À espera dos navegadores estão 92 quilómetros de albufeira, entre Amieira e Juromenha, sendo possível acostar em marinas localizadas na proximidade de pequenas aldeias, como Estrela ou Cheles (já no lado espanhol), ou utilizar as ligações por automóvel a locais turísticos mais afastados da água, como é o caso de Monsaraz.

Apesar de considerar o projecto "auto-suficiente", a expectativa de Eduardo Lucas é que rapidamente comecem a surgir nas margens de Alqueva outros pontos de interesse turístico, como hotéis, restaurantes e campos de golfe.

"O barco é o centro gravitacional de tudo e permite que as pessoas andem no lago e comuniquem com o exterior. Quantos mais pontos de interesse existirem nesse exterior mais atractivo se torna para quem nos procura", sublinha o administrador da empresa.

Em Julho, os preços para o aluguer de um barco-casa durante uma semana, de segunda e sexta-feira, custam cerca de mil euros.

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