A Banda Sinfónica Portuguesa actua hoje pela primeira vez em Lisboa, às 21h30, no anfiteatro ao ar livre da Culturgest, sob a direcção artística do maestro Francisco Ferreira. Quase dois anos após a sua criação, o projecto portuense continua a perseguir a sua oportunidade para se afirmar nacionalmente..Sobre o espectáculo desta noite, Francisco Ferreira, de 37 anos, diz que "é um programa típico de uma noite de Verão", de carácter festivo e espampanante, cuja execução ao ar livre o torna mais "apelativo", apesar do "grau de dificuldade" inerente a qualquer actuação no exterior..No anfiteatro da Culturgest vão soar os ecos exuberantes de outras noites de festa, incluindo o tema oficial dos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, criado pelo compositor americano John Williams, e a Abertura para o Gil do palmelense Jorge Salgueiro ("um dos melhores compositores portugueses actuais"), escrita para a Expo'98..Do repertório fazem ainda parte Muralles, de José Goméz Deval, Czardas (tocada com xilofone), de Vittorino Monti, Maribel, de Ferrer Ferran, e a fantasia Arco-Íris, do compositor português Duarte Pestana, que Francisco Ferreira considera "o expoente máximo da composição nacional" para bandas sinfónicas. A sua obra, afirma, "é densa em termos de composição e formidável ao nível da orquestração". .A Banda Sinfónica Portuguesa foi criada em Novembro de 2004 por um grupo de cerca de 70 jovens instrumentistas de sopro e percussão, na sua maioria licenciados ou em vias de concluir as licenciaturas nos respectivos instrumentos. O seu concerto de apresentação foi em 1 de Janeiro de 2005, no Teatro Rivoli, no Porto, e tem actuado em diversos locais do Norte do País e na Galiza..O balanço da curta existência da banda sinfónica é misto. Embora esteja "satisfeito" com o trabalho desenvolvido, o director artístico admite sentir a falta de apoios estatais para um projecto "inédito" e que ajuda recém-licenciados. "O Estado português devia apreciar mais as artes em Portugal", conclui, ao mesmo tempo que refere como essencial o apoio da Culturporto..O maestro refere a semi-profissionalização da banda como um dos principais objectivos no horizonte, algo que está dependente da abertura das instituições a projectos como a BSP. "Quanto mais pudermos fazer, mais profissionais seremos", garante. A primeira actuação na capital coloca a banda um passo mais perto do ambicionado prestígio nacional. "Esperamos voltar mais vezes", diz Francisco Ferreira.