A decisão consta de uma informação enviada à agência Lusa, dando conta que a intervenção resulta da necessidade de "garantir a proteção dos depositantes e o cumprimento das demais responsabilidades do BANC", mas também para "assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional"..O conselho de administração do banco central angolano, em reunião extraordinária realizada hoje, ao abrigo da Lei de Bases das Instituições Financeiras, "deliberou a adoção de medidas de saneamento do BANC, que culminaram com a suspensão do órgão de administração daquele banco, bem como a nomeação de administradores provisórios"..Trata-se da segunda vez que o BNA recorre a uma intervenção deste género, depois do saneamento aplicado em 2015 ao então Banco Espírito Santo Angola (BESA), devido ao volume de crédito malparado, que foi depois transformado em Banco Económico..Segundo o relatório e contas de 2016 do BANC, 80,70% do capital social daquele banco comercial privado angolano era detido por Kundi Paihama, um dos generais de topo em Angola, atual governador da província do Cunene e membro do Comité Central do MPLA, partido no poder..Há vários anos que se arrastava o processo de aumento de capital daquele banco, que em 2016, segundo o relatório e contas consultado pela Lusa, tinha 28% do crédito total concedido em situação de vencido e mais de 33.000 clientes.."As medidas de saneamento visam a reposição dos termos de sustentabilidade financeira e operacional do banco, harmonizando-as com as normas vigentes para o exercício da atividade comercial bancária no país", refere o BNA no comunicado de hoje..Os bancos angolanos passaram a estar obrigados, desde março, a elevar o valor mínimo do capital social para 7.500 milhões de kwanzas (28,4 milhões de euros), por decisão do BNA, que triplicou a exigência anterior..Segundo o banco central angolano, durante o período de intervenção no BANC "será concluída a avaliação detalhada da totalidade da carteira de crédito da instituição e sua afetação à componente a ser incorporada nos prejuízos", mas também realizado o "levantamento dos elementos patrimoniais a serem objeto de alienação ou transferência e reestruturação das obrigações perante credores"..A coordenação da implementação das medidas extraordinárias de saneamento naquele banco será assegurada pelos administradores provisórios nomeados pelo banco central, inicialmente com um mandato de seis meses.."O Banco Nacional de Angola reitera que com a intervenção em questão, não se alteram as relações de negócios do BANC com os seus clientes, garantindo, igualmente, a segurança dos depósitos mantidos junto dessa instituição financeira bancária", assume ainda o BNA.