Baixa de Lisboa: local a evitar

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​​​​​​​E infelizmente não é só a Baixa um local a evitar, também o Chiado, o Bairro Alto e Alfama são cada vez mais zonas do centro de Lisboa que se têm tornado desconfortáveis até para passear.

Este desconforto não é de agora, vem pelo menos desde 2014/2015 quando Lisboa passou a estar na moda e o executivo da altura, presidido por António Costa e depois por Fernando Medina, não souberam adaptar a cidade à chegada de milhares de turistas todos os dias. De um centro histórico meio abandonado e com poucos moradores, mas frequentado durante o dia por muitos portugueses, passámos a ter uma zona central com o edificado a ser recuperado por privados e visitada quase exclusivamente por estrangeiros.

Culpar o turismo pela descaracterização dos centros das cidades não serve de nada. E bem sabemos como, infelizmente, a nossa economia vive dependente dos fluxos turísticos. Mas enquanto noutras cidades da Europa o aumento do turismo serviu para melhorar o espaço público, aumentando passeios, retirando carros do centro, restaurando monumentos e edifícios públicos... em Lisboa abandonou-se o centro tornando-o um local que os lisboetas começaram a evitar.

A Baixa, Alfama, o Chiado, o Bairro Alto e a Bica tornaram-se zonas sujas, com ruas cheias de lixo acumulado, com cheiros insuportáveis em várias delas, com tráfico de droga e de falsa droga em artérias supostamente nobres, com passeios minúsculos cheios de gente, com carros em cima de passeios todo o tempo, com fios de electricidade e telecomunicações nas fachadas... O centro de Lisboa é um acumular de péssimos exemplos que em nada a colocam como cidade europeia de primeiro mundo.

Nem coisas básicas que até em Atenas funcionam, famosa por algum desleixo, em Lisboa não. Só dois exemplos: as muralhas do castelo de São Jorge estão às escuras há pelo menos cinco anos. Alguém imagina a Acrópole ou a Torre Eiffel sem iluminação à noite? E as fontes do Rossio funcionam umas poucas horas por dia desde a pandemia. Alguém imagina as fontes de Madrid sem água praticamente 24 horas por dia?

O centro de Lisboa vive num total desleixo onde deixou de ser prazeroso frequentar. Outro exemplo: o Cais das Colunas é hoje um espaço de venda ambulante, cantores de rua de terceira categoria e estacionamento de tuk-tuks junto à passadeira. Já para não falar da inestética saída de águas pluviais que cria uma praia suja e que destrói toda a simetria pombalina da Praça do Comércio. Outro local onde houve assoreamento foi junto à Torre de Belém, mas aí já estamos fora do centro de Lisboa. As autoridades da cidade e do país não andam na rua? Não se importam com o estado a que o espaço público chegou?

Se não podemos nem devemos travar a chegada de turistas ao menos que tratemos do espaço que é de todos. Não basta deixar recuperar prédios para fazer hotéis e restaurantes, é necessário tratar e cuidar dos passeios, das praças, dos edifícios públicos, dos monumentos e manter as ruas limpas. E já agora sem famílias inteiras que se decidam a traficar droga e falsa droga e a chatear as pessoas de 10 em 10 metros.

Presidente do movimento Partido Democrata Europeu
(O autor escreve de acordo com a antiga ortografia)

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