Bagos de saúde

O final do Verão traz um dos frutos com maiores benefícios para a saúde: as uvas. Autênticos concentrados de substâncias antioxidantes, ajudam a prevenir o cancro, a proteger o coração e a estimular a circulação. Entre muitas outras coisas.
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Raros são aqueles que, por estes dias, ainda não se deliciaram com um cacho de uvas. Símbolo da despedida do Verão e do regresso do Outono em praticamente todo o mundo mediterrânico, esta fruta tem sido considerada, na última década, como uma das mais surpreendentes dádivas da natureza. Quem diria que dentro dos seus modestos bagos se reúne um grupo de poderosos elementos apostados em promover a nossa saúde? Graças às suas vitaminas, minerais e, sobretudo, substâncias antioxidantes, as uvas depuram, revitalizam e protegem o organismo de forma activa, afastando a doença.

Pelos quatro cantos do mundo, onde actualmente são cultivadas, consumidas e usadas na produção de vinho, os investigadores estão de acordo: as uvas, além de ajudarem no combate à obstipação e serem diuréticas, têm um papel relevante no bem-estar cardíaco. Bago a bago, protegem-nos contra a hipertensão e reforçam o bom estado dos vasos sanguíneos, auxiliando na regularização das taxas de colesterol. Esta fruta é ainda um estimulante natural da circulação sanguínea, podendo valer, por exemplo, na luta contra as pernas pesadas e inibindo a formação de varizes.

O consumo de uvas é ainda sinónimo de uma pele mais saudável, já que ajuda o manto cutâneo a preservar a hidratação, bem como favorece a síntese de colagénio e de elastina, as proteínas que lhe garantem a firmeza e elasticidade. Resultado? Maior resistência às agressões e o adiar do indesejável envelhecimento precoce. Uma descoberta aproveitada, claro, pela indústria cosmética, que, nos últimos tempos, começou a incluir a Vitis vinifera, nome latino para a tradicional videira europeia, mãe da uva, nas suas fórmulas e promessas.

Se tudo isto é surpreendente para uma fruta que a humanidade conhece e utiliza desde os primórdios da civilização, o que dizer dos resultados de estudos recentes que demonstraram o poder da uva no equilíbrio das funções hepáticas e, sobretudo, na prevenção de alguns tipos de cancro e de doenças degenerativas, como o Alzheimer?

Donde vêm todas estas virtudes? A ciência vai avançando respostas, mantendo-se, porém, debruçada sobre esta aparentemente inesgotável fonte de saúde. Se o teor de vitaminas e de sais minerais das uvas pode ser, à excepção de um ou outro nutriente que se destaca, como a vitamina B6 e o potássio, considerado normal para uma fruta, o que as torna realmente especiais são os seus múltiplos antioxidantes. Entre estes sobressai o grupo dos polifenóis, com os seus fitoquímicos de nome complicado: as antocianinas, a quercetina e o potente resveratrol. Todos eles, mas sobretudo este último e recentemente descoberto, são os agentes secretos destas bagas contra a doença e o envelhecimento precoce, apresentando poderosas propriedades anticancerígenas, anti-inflamatórias, antivirais e antifúngicas.

E é aqui, na presença destes antioxidantes, que as uvas pretas batem as brancas. É que os polifenóis são os responsáveis pelo pigmento que dá a cor característica às uvas tintas - na versão avermelhada, arroxeada ou mesmo negra - concentrando-se na sua pele, que, por isso, quanto mais escura mais salutar. Para aqueles que preferem as castas brancas, há uma boa notícia: os cientistas localizaram também estes fitoquímicos, nomeadamente o resveratrol, nas grainhas de todas as uvas. Uma descoberta que nos diz que, para delas aproveitarmos todos os benefícios, as devemos comer inteiras e à maneira antiga, ou seja, providas das pequenas sementes.

Isso significa que além de apostarmos na qualidade e frescura dos cachos, optando por uvas firmes, intactas e bem presas aos caules ainda verdes, devemos atentar também à higiene. Há que lavar bem esta fruta, de preferência em mais de uma água ou em água corrente, retirando poeiras e outros detritos campestres. Depois é saboreá-las, nesta que é a sua época de eleição, ao natural ou como um toque doce noutros pratos. Dicas? Junte uns bagos a uma tábua de queijos, a uma salada com frutos secos ou até uma quiche de frango. O sabor único vai lá estar e os benefícios para a saúde também.

Engordam ou não?

_ As uvas são, de facto, um dos frutos com valor energético mais elevado: possuem entre 72 e 77 calorias por cada cem gramas.

_ Extremamente ricas em frutose e glicose, podem ter entre 15 e trinta por cento de açúcares na sua composição.

_ As uvas pretas são, habitualmente, mais calóricas do que as brancas, mas todas as variedades oriundas de locais quentes e secos são mais doces do que as produzidas em regiões frias e húmidas.

_ Os seus benefícios para a saúde compensam, no entanto, as suas calorias. Para as minorar, opte por comer as uvas sozinhas, saboreando-as como lanche matinal ou à tarde. E, nesses dias, controle a ingestão de outros «petiscos», fazendo uma alimentação mais saudável. Afinal, só se ganha peso quando o balanço entre a ingestão e o gasto de calorias é positivo...

_ Os diabéticos e obesos devem sempre, no entanto, consumi-las com moderação.

Pense nisto...

«No que diz respeito à saúde óssea, não há nada que se compare às ameixas secas. Não espere até fazer uma fractura ou ser-lhe diagnosticada osteoporose. Comece a comer duas ou três ameixas secas por dia e vá aumentando até às seis ou dez diárias.»

Bahram Arjmandi, investigador da Universidade da Florida e autor de um estudo sobre ameixas secas e densidade óssea nas mulheres em pós-menopausa, publicado no British Journal of Nutrition

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