Avisos de todo o lado

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São as agências de rating, as organizações internacionais e nacionais, os avisos chegam de todo o lado. A situação é muito perigosa, porque Portugal está totalmente dependente do que se passar no resto do mundo. Mas, convenhamos, olhando para algumas das preocupações daqueles que se mostram preocupados com a nossa vida, apetece mandá-los às malvas.

A Moody"s preocupada com o equilíbrio das contas públicas porque os partidos que apoiam o governo "fazem pressão para uma política orçamental mais expansionista" é para rir. Um ano e meio depois ainda andam nisto, como se o défice mais baixo da democracia portuguesa não tivesse sido conseguido por um governo apoiado pelo PCP e pelo Bloco. Depois querem ser levados a sério.

É triste que se metam por estes caminhos, porque na verdade existem razões para as agências de rating não quererem melhorar a nossa classificação. Há problemas graves no sistema bancário e o crescimento económico não dá para ir amortizando a dívida. Os nossos problemas não têm nada a ver com a cor dos governos, asneiras ou coisas boas fazem-se à esquerda e à direita. Com caminhos alternativos, naquilo que interessa aos mercados, Portugal vai fazendo o seu caminho. O que pode levar-nos de novo ao desastre tem muito mais que ver com a política do Banco Central Europeu, com a forma como for gerido o brexit, o resultado nas eleições em França e na Alemanha e até com a dimensão dos disparates que vier a fazer Donald Trump em matéria económica.

Não significa que não há trabalho de casa para fazer. Importa que não existam sinais negativos para os potenciais investidores, dando a entender que pode haver reversões profundas na legislação laboral. Importa igualmente que o investimento público não continue a ser sacrificado para continuar a aumentar rendimentos aos funcionários públicos e pensionistas.

Se a Europa e as agências de rating estão de facto interessadas em que as coisas corram bem a Portugal, talvez não fosse má ideia começarem a ter alguma contenção. Para se mostrarem atentas e vigilantes não precisam de estar sempre a dizer mal e, menos ainda, convém que não insistam em dizer coisas que são desmentidas pela realidade presente.

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