Portugal é o país da União Europeia que mais carne de aves consome anualmente, sobretudo graças ao frango a que se deve metade do consumo total de carne. Mas apesar do elevado consumo, o aumento do preço das rações e a nova regulamentação para o sector, que proíbe a criação demasiado concentrada e obriga a dispôr de muito mais espaço para as aves, estão a levar muitos produtores a abandonar a actividade. Os primeiros sinais de alarme já soaram no Caramulo, que concentra o grosso da produção nacional..Segundo números do Ministério da Agricultura, cada consumidor nacional come 30 quilos de frango por ano e 180 ovos. O baixo custo, as muitas proteínas e as várias maneiras de cozinhar o frango tornam esta carne a mais apetecível. Em 2003, os nitrofuranos e a gripe das aves originaram uma retracção no consumo "mas o sector recuperou", adianta o secretário-geral da ANAPO, a Associação Nacional dos Avicultores e Produtores de Ovos. Mas "desde 2007 que o aumento do preço das rações retirou músculo a muitos produtores, que agora não têm meios financeiros para cumprir com a nova regulamentação para o sector, que implica investimentos elevados", diz Paulo Mota.."Desde 9 de Março que os 65 trabalhadores", dos Aviários Cruzeiro "estão em casa e com salários em atraso", contou José Pinto. A grande maioria dos trabalhadores "são casais que trabalhavam juntos e que nem sequer ganham o salário mínimo", ganham "todos à hora", adiantou Carlota Silva. Os funcionários da empresa estão em casa, sem trabalho, e só esta semana receberam o salário de Fevereiro, depois de terem reunido com a administração. Os trabalhadores, que ainda não foram despedidos e que continuam sem receber o subsídio de Natal, vão voltar a encontrar-se com os proprietários da empresa "na próxima semana", adianta Maria Esmeralda. O futuro "será o despedimento, disse--nos o patrão", conclui José Pinto..Mas o secretário-geral da ANAPO vaticina "mais despedimentos e encerramentos de granjas, sobretudo dos produtores de ovos, onde devem encerrar umas três dezenas de empresas". .O sector concentra-se principalmente nas regiões da Beira Alta e Ribatejo, totalizando estas mesmas 83% da produção nacional, o que corresponde a 39% do total das explorações de Portugal e "é fortemente exportador", conclui o dirigente.