Avaliação psiquiátrica para David Saldanha

Homicida da namorada tem historial de violência, com os pais e já na prisão. O tribunal pediu uma perícia psiquiátrica do arguido.
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Violento quando contrariado. Este é o traço mais vincado da personalidade de David Saldanha, que está a ser julgado no Tribunal de Viseu acusado do homicídio de Joana Fulgêncio, a jovem de 20 anos encontrada morta na barragem de Fagilde em Novembro último. Um comportamento que já evidenciou na prisão, onde se encontra sob acompanhamento psiquiátrico. O tribunal quer apurar melhor a personalidade de David e determinou uma perícia psiquiátrica e uma avaliação da personalidade.

O julgamento prosseguiu ontem depois de o tribunal avisar a mãe da vítima de que só poderia acompanhar o caso se não perturbasse os trabalhos. Na sexta-feira, Paula Fulgêncio tentou agredir o homicida da filha com o pé do microfone da sala de audiências.

Na sessão de ontem foram ouvidos os pais do arguido, que, de forma mecânica e resignada, lembraram todo um historial de violência do filho. A mãe, Conceição Saldanha, testemunhou em tribunal que o filho foi várias vezes violento com ela, "sobretudo quando levava um não como resposta". Recordou uma ocasião em que foi atirada "pelas escadas abaixo" porque pediu ao filho "para desligar o computador". Também o pai, Álvaro, contou que foi agredido "a murro" pelo filho depois de mais uma discussão.

Um comportamento que manterá na prisão, já que, de acordo com uma prima e psicóloga que o visita, "agrediu um preso depois de este ter mexido num caderno" do arguido. Sónia Saldanha adiantou que David "encontra-se sob acompanhamento psiquiátrico".

Factos e testemunhos que levaram o tribunal a dar deferimento a um requerimento da defesa para o suspeito ser sujeito a uma perícia psiquiátrica. O colectivo de juízes considerou que "os diversos testemunhos ouvidos, a personalidade já demonstrada do arguido e o relatório social obrigam a uma perícia psiquiátrica e a uma avaliação de personalidade, que se podem mostrar determinantes para a descoberta da verdade".

Ao que apurou o DN junto de fonte da defesa, em causa está uma tentativa para "mostrar uma imputabilidade reduzida". A confirmar-se esta situação, David Saldanha poderá ver a acusação alterada e uma eventual pena de prisão reduzida até ao máximo de um terço.

Já a acusação quer saber como David justificou a compra da marreta usada no crime. Em causa, a premeditação do crime, que poderá agravar a sentença. O julgamento prossegue a 29 de Setembro.

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