Apesar de estarem longe os tempos em que do Tejo para baixo o mapa de Portugal se vestia de vermelho , Setúbal continua a ter à frente da maioria dos seus concelhos autarcas eleitos nas listas da CDU..Nas eleições de 2001, recorde-se, foi o ano em que a hegemonia comunista no distrito sofreu um abalo. Das 10 autarquias detidas pela coligação antes dessas eleições, a CDU ficou com oito. O PS, que já mandava em Sesimbra, Setúbal e Montijo, conseguiu roubar aos comunistas os municípios de Alcochete, Barreiro e Grândola. Pelo caminho os socialistas perderam na batalha eleitoral a capital de distrito, que passou a ser dirigida por Carlos Sousa, o ex-presidente do vizinho concelho de Palmela..Para as eleições de 9 de Outubro próximo, o PCP opta por seguir a velha máxima do futebol "em equipa que ganha não se mexe" e recandidata os autarcas de Almada, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Setúbal e Sines. Mas novos nomes posicionam-se para autarquias importantes como a de Alcácer do Sal, onde o actual presidente, Rogério Brito, um histórico, não se recandidata..Jerónimo Matias vai tentar segurar a presidência da autarquia de Alcácer, Luís Miguel Franco é o cabeça de lista da CDU em Alcochete, enquanto Carlos Humberto Carvalho e Josélia Espada são dois nomes novos nos quais os comunistas apostam para conquistar as presidências do Barreiro e Grândola, respectivamente..No Montijo, João Henrique Serra da Graça vai correr na tentativa de recuperar um município perdido pelo PCP há já dois mandatos para as mãos dos socialistas. Augusto Pólvora tentará o mesmo objectivo em Sesimbra, onde o socialista Amadeu Penim manda há oito anos..Do lado do PS, as apostas para o distrito nas eleições autárquicas de 2005 passam por nomes já consagrados - José Inocêncio, em Alcochete, Emídio Xavier, no Barreiro, Carlos Beato, em Grândola, Maria Amélia Antunes, no Montijo e Amadeu Penim, em Sesimbra. Sines, Santiago do Cacém e Alcácer são concelhos onde a CDU corre o risco de sofrer danos. E o PS decerto não estará desatento a este pormenor..Também o PSD, apesar da falta de tradição nestes domínios, apresenta escolhas de peso para alguns dos municípios do distrito de Setúbal. Ex-ministro do Ensino Superior do governo de Durão Barroso, Pedro Lynce é candidato à Câmara de Alcácer do Sal. Também Fernando Negrão, ex-ministro de Durão Barroso e ex-director nacional da Polícia Judiciária, se abalança nas lides autárquicas. O concelho escolhido é o da sede de distrito. Lucília Ferra, conhecida dirigente social-democrata no distrito, concorre na autarquia do Montijo. Em Palmela, onde os comunistas são a força local dominante no poder desde 1976, o PSD vai apostar em Octávio Machado. Esse mesmo, o do futebol. O polémico ex-treinador do Sporting e do F.C. Porto, habitante e agricultor no concelho e que também é dirigente dos bombeiros locais, encabeça a lista do PSD à Câmara de Municipal de Palmela, assumindo-se como independente..Contexto. No período 1995-2001, o crescimento do PIB per capita na região de Lisboa e Vale do Tejo foi mais rápido comparativamente com a média comunitária. Registou-se igualmente uma tendência de convergência a nível nacional, só tendo conseguido êxito semelhante a região do Algarve. Numa perspectiva intra-regional, o mesmo se passou na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Grande Lisboa e Lezíria do Tejo cresceram mais do que a sub-região Oeste. A Península de Setúbal estagnou. .Segundo um estudo elaborado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo sobre Dinâmicas Territoriais do Eixo Lisboa/ Setúbal/ Sines, realizado pelo Instituto Superior Técnico, "as grandes oportunidades para o desenvolvimento integrado das regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo, e muito particularmente do eixo Lisboa-Setúbal-Sines, provêm essencialmente dos desenvolvimentos previstos nas áreas da logística/ transportes/ acessibilidades e turismo"..De acordo com o documento, "essas oportunidades, se devidamente aproveitadas, levarão ao estabelecimento de uma importante dinâmica de desenvolvimento dos territórios do eixo". Entre os benefícios previstos, o estudo destaca a fixação de novas actividades de valor acrescentado; a criação de emprego qualificado; a fixação de recursos humanos e competências; novas condições de sustentação ao tecido empresarial já existente..Os técnicos defendem para a prossecução destes objectivos a aplicação de políticas integradas de desenvolvimento. .Em termos de território foram identificadas várias falhas ao nível dos recursos humanos no Alentejo Litoral, "especialmente para suportar as novas actividades que se estabelecerão, relacionadas com o desenvolvimento do porto de Sines e os grandes investimentos turísticos no Alentejo Litoral", refere o estudo. O documento sublinha que tais falhas poderão ser possivelmente "o principal constrangimento a resolver para se atingir um aproveitamento eficaz das oportunidades emergentes. As oportunidades a desenvolver no eixo a curto/médio prazo serão essencialmente ao nível da logística e transportes, turismo, indústria ligeira e serviços associados". .Porém, o estudo verificou que os níveis de qualificação no eixo revelam que a região do Alentejo Litoral não possui mão-de-obra suficiente, nem ao nível das qualificações e competências necessárias, nem ao nível do número de recursos disponível para fazer face à procura prevista nos cenários. .Consequentemente, o desenvolvimento de acessibilidades (rodovias e ferrovias) será uma componente fundamental de uma estratégia de desenvolvimento para a região.