Auditoria revela venda de armas e desvio de fundos

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Uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) à actividade do Fundo de Defesa Militar do Ultramar indica que, em 1980, Portugal vendeu armas ao Irão, quatro dias após a morte de Adelino Amaro da Costa, ministro da Defesa que investigava o negócio de armamento. Além disso, aponta a existência de um «saco azul» através do qual terão sido desviados cerca de 40 milhões de euros. A revelação foi feita por Nuno Melo, presidente da Comissão de Inquérito à Tragédia de Camarate, durante um jantar com militantes do CDS/PP, em Famalicão. O documento será hoje debatido na Assembleia da República.

O deputado do CDS disse que a auditoria permitiu reconstituir os últimos meses da vida política de Adelino Amaro da Costa e, na sua opinião, concluir que o ministro da Defesa «não pactuou com negócios obscuros» na venda de armamento para o Irão e outros países (Guatemala, Argentina e Indonésia).

O líder parlamentar do CDS/PP adiantou que o relatório da IGF revela que Amaro da Costa, no dia 2 de Dezembro de 1980, «quis saber informações» junto do Gabinete do Estado-Maior das Forças Armadas. Dois dias depois, faleceu na queda do Cessna onde seguia também o primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro. No dia seguinte, «os poderes que cabiam ao ministro da Defesa passaram para outra entidade» e, no dia 9, as armas «foram mesmo vendidas ao Irão».

Nuno Melo garantiu que a auditoria seguirá para a Procuradoria--Geral da República. De acordo com o deputado, há pessoas com altas responsabilidades que devem explicações, como é o caso de Ramalho Eanes. A auditoria não estabelece relação entre os negócios e a morte de Amaro da Costa.

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