"Através de uma respiração cheia de gargalhadas passamos para um lugar de quietude"
Como é que a meditação apareceu na sua vida?
No início da década de 1970, em Nova Iorque, enquanto atuava em anúncios de televisão, filmes e peças de teatro, senti uma grande necessidade de me pôr em contacto com o meu estado meditativo interior... procurava um sentido de centro mais profundo, a partir do qual pudesse contribuir conscientemente com o meu talento nos meios de comunicação. Pesquisei muitos professores, ensinamentos e práticas para descobrir a orientação com a qual me sentisse em sintonia. O livro de Richard Hittleman sobre meditação e yoga foi uma leitura que desmistificou suficientemente o tema para eu o explorar e experimentar até que comecei a entrar em lugares muito profundos de vivências profundas.
O que é a meditação pelo riso?
É a prática do movimento consciente e intencional de energia para a libertação e o relaxamento. Ao utilizarmos o comportamento de riso experimental divertido exploramos a libertação da respiração e da linguagem corporal; ao usarmos a imaginação criativa e a intenção de cura fazemos vibrar o nosso corpo físico e os nossos centros de energia. A posição final é a savasana ou posição de cadáver, que consiste em ficar deitado, liberto e relaxado, e disponível para uma meditação feliz e a experiência de uma corrente interna de sons cósmicos.
Mas como é que podemos meditar quando estamos a rir?
Através de uma respiração corporal cheia de gargalhadas passamos para um lugar de quietude e de resolução serenas onde nos espera a paz e a compreensão naturais da meditação.
E qual é a importância da meditação?
A meditação permite-me equilibrar a minha vida quotidiana de assuntos exteriores, locais e temporários, com o sentido interior, não local e eterno, de quem sou. Assim, não sou sequestrado por sensações e impressões exteriores. A meditação é a minha maneira de reservar espaço para a presença eterna, aqui e agora, no meio do mundo exterior de acontecimentos passageiros. A meditação contribui para a expansão da consciência da minha eternidade para além da vida pessoal do corpo.
É possível meditar no meio das pessoas, da confusão?
Quando me identifico com a presença eterna, fazendo disso uma prática contínua, vejo o temporário e sei que isto é passageiro, vejo como sou eterno... ao ponto de os meus mudras e mantras estarem bem integrados na minha vida, pois a meditação é a respiração certa, o movimento certo, o foco certo, a intenção certa.
Pode dar-nos alguns conselhos para meditarmos? Alguns exercícios?
Os exercícios de meditação para principiantes podem ser:
1- Ler textos ou ensinamentos inspiracionais.
2 - Respirar profundamente.
3 - Desfazer-se de todos os nomes, títulos, papéis, classificações e sentar-se com o que restar durante 21 minutos, no mínimo, a 02.30m por dia.
4 - Sentar-se durante 21 minutos sem se mexer enquanto se concentra num único ponto do ambiente que o rodeia ou da sala, e não se agarrar a nenhuma corrente de pensamentos ou atividade externa.
5 - Meditação dos movimentos dos Cinco Ritmos (internacional).
6 - Prática diária e autêntica de yoga que termina com a meditação savasana.
7 - Respeitar a omnipresente corrente interior de sons cósmicos. Deixar-se imergir na sua eternidade, na sua felicidade, na sua luz transcendental.
Acha que o Porto vai ser um bom lugar para meditar hoje à noite?
Apenas o verdadeiro eu é um bom lugar para a felicidade meditativa. O verdadeiro eu está para além do sítio ou da hora local; não esteja apenas no Porto ou em Lisboa, esteja conscientemente presente aqui e agora, pois a meditação eterna é a primeira e última natureza do seu verdadeiro eu. Ao compreendermos isto sabemos que a nossa meditação já está em todo o lado, independentemente da zona e da hora.
O que podemos esperar da sua intervenção no Fórum do Futuro?
Pode esperar estar aqui e agora a apreender uma noção totalmente nova da sua presença eterna.