Lahore, a principal cidade cultural do Paquistão, com 7 milhões de habitantes, foi ontem abalada por um atentado que matou 26 pessoas. O kamikaze fez-se explodir junto a uma barreira policial e atingiu mortalmente 22 agentes, além de quatro transeuntes. Entre os 50 feridos, havia seis em estado crítico. O ataque ocorreu no auge da crise política e na véspera do início de um mês religioso em que costuma haver violência entre as comunidades xiita e sunita..O atentado poderá ter autoria dos radicais islâmicos da Al-Qaeda. O estrondo ouviu-se a grande distância e o sopro teve tal força que a cabeça do suicida foi encontrada a 100 metros do local. Um jornalista da AFP, Jalilur Rehman, estava perto do ponto da explosão: "Vi 22 polícias inanimados", contou a testemunha. "Os feridos não gritavam, estavam em estado de choque ou pareciam ter perdido os sentidos"..As imagens mostram uma pilha de corpos, um cavalo morto no meio da estrada e alguns sobreviventes sentados e ensanguentados, de olhar vazio. Os polícias pertenciam a uma unidade anti-motim, mas os coletes não os protegeram dos pregos e outros fragmentos de metal..Os agentes estavam ali para impedir distúrbios. O local fica próximo do Tribunal e estava prevista uma manifestação de advogados, no âmbito do movimento de juristas contra o Presidente Pervez Musharraf. O alvo seria a manifestação, mas o suicida foi interceptado por um polícia, antes de accionar os explosivos. Os advogados escaparam por se atrasarem alguns minutos. Um dos organizadores, Khurram Latif Khosa, contou à AFP que os advogados correram para ajudar as vítimas: "Vi um homem meio morto, o sangue a sair-lhe pela boca e nariz, chamei por socorro e levámo-lo num carro, mas morreu no caminho.". Este novo atentado aumenta o clima de alta instabilidade no Paquistão, país que a 18 de Fevereiro enfrenta eleições decisivas.|