Alexander Yargunkin foi o último a cair, suspenso preventivamente na véspera da final de 50 km marcha, por ter acusado EPO num controlo antidoping. Mas antes dele já tinha caído a máscara da Rússia, que se eclipsou quase por completo nos Mundiais de atletismo. De 17 medalhas ganhas em 2013, os russos passaram a quatro em 2015 - o pior resultado de sempre. E a marcha, sem participação russa (após a suspensão de Yargunkin, o último atleta "limpo" que restava), serviu de metáfora da prestação apagada de uma nação assombrada pelo uso de substâncias ilegais..Na hora do balanço dos Mundiais, que terminaram anteontem, em Pequim (China), apontam-se muitos vencedores - como Ashton Eaton, Dafne Schippers, Mo Farah, Usain Bolt e o Quénia, "nova superpotência mundial" - mas há um derrotado que sobressai dos restantes: a Rússia, líder do medalheiro em 2013 (com sete medalhas de ouro, quatro de prata, seis de bronze), fez a pior participação da sua história: dois ouros, uma prata e um bronze (9.º lugar no final). Uma hecatombe inesquecível para um país que só por uma ocasião ficara abaixo dos dois dígitos de medalhas e, ainda assim, alcançara o dobro deste ano: oito (uma de ouro, quatro de prata, três de bronze) em 1997..Os escândalos de doping que têm assombrado a Rússia nos últimos anos foram a causa do declínio. Revelaram o verdadeiro nível dos seus atletas sem recurso a drogas, dizem os críticos. Ou abalaram psicologicamente os atletas que não foram suspensos, contropõem os russos. "A atmosfera em torno da equipa é difícil. Estamos a sentir uma forte pressão psicológica, que é exercida sobre a Rússia e mais nenhum outro país. Isso pode não justificar os nossos fracassos mas todos esses casos de doping têm impacto na nossa resistência psicológica", disse Yuri Borzakovsky, treinador principal da seleção russa, à agência noticiosa TASS..Leia mais na edição impressa ou no e-paper do DN.