Associação de Geminação apadrinha percurso escolar de crianças em Cabo Verde

Cerca de uma centena de crianças carenciadas do concelho cabo-verdiano de Ribeira Brava foram apadrinhadas este ano pela Associação de Geminação de Abrantes no âmbito de uma campanha de escolarização denominada "Projecto Padrinho".
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Segundo disse à agência Lusa José Fernandes, presidente da Associação de Geminação, a campanha de apadrinhamento de menores carenciados do concelho de Ribeira Brava, Cabo Verde, "visa contribuir com um mínimo 30 euros por ano para que as crianças, cujas famílias têm dificuldades económicas, possam mais facilmente cumprir, fruto de melhores condições, a escolaridade obrigatória".

"Os donativos, que não serão directamente entregues às famílias, serão aplicados na compra de material escolar como batas, lápis, livros, cadernos, pastas, ou outro material escolar", disse o responsável, adiantando que "duas escolas primárias estão apadrinhadas por completo, num total de 52 alunos, e há mais 30 crianças com o processo a decorrer o que permitirá, em breve, alargar o projecto a mais dois estabelecimentos de ensino".

"O projecto está a ser realizado no âmbito do 10º aniversário da geminação e com base num 'Código de Apadrinhamento', ou regulamento, estabelecido em cooperação com as Câmaras de Ribeira Brava e Abrantes", afirmou.

A Associação fará chegar à Câmara da Ribeira Brava os donativos dos "padrinhos", cerca de 60 agregados familiares, e a autarquia cabo-verdiana, através dos seus serviços de acção social, como interlocutor no terreno, fará a gestão do dinheiro no sentido de que a verba seja canalizada efectivamente para as necessidades das crianças.

"O levantamento realizado pelas autoridades locais possibilitou a identificação de 1100 crianças cujas famílias têm parcos recursos no município da Ribeira Brava e que, portanto, apresentam dificuldades em concluir a escolaridade obrigatória, mas que mostram interesse e vontade de aprender", afirmou José Fernandes.

Segundo o responsável, "trinta euros não significam um esforço financeiro demasiado pesado para uma família portuguesa e, quando percebem que podem constituir um importante contributo para o processo educacional de jovens carenciados de Cabo Verde, dão o seu aval ao processo de apadrinhamento".

O afilhado, ou o seu encarregado de educação, explicou, "fica com o dever de informar periodicamente sobre o seu progresso escolar, por e-mail, carta ou outro meio, e assim se vão estabelecendo e fortalecendo pontes afectivas entre dois povos irmãos".

"A Associação de Geminação é um processo dinâmico, com relações e acordos bilaterais, onde se desenvolvem os esforços necessários no sentido de que seja estabelecida uma comunicação de continuidade entre afilhados e padrinhos, para que o processo não tenha apenas um cariz de apoio financeiro", concluiu.

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