Associação Cabo-Verdiana na Alemanha pede criação de um centro no país

Hamburgo, 04 mai 2019 (Lusa) -- A Associação Cabo-Verdiana de Hamburgo, cidade onde está concentrado o maior número de pessoas deste país africano na Alemanha, pediu hoje ao Presidente de Cabo Verde a criação de um centro para tornar a comunidade mais ativa.
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Graciana Soares, presidente da associação criada em 2004, sublinhou que a comunidade "está bem integrada, mas podia ser melhor, se houvesse mais participação dos cabo-verdianos e mais ajuda económica."

Por isso, a responsável aproveitou a presença do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, hoje em Hamburgo para pedir a criação de um centro, um "desejo antigo" da associação.

"Se tivéssemos um centro cabo-verdiano seria muito bom para os jovens se encontrarem e também os que já estão reformados, um sítio onde pudéssemos fazer as nossas atividades. Assim a comunidade ficaria mais empenhada e mais ativa", defendeu, em declarações à agência Lusa.

A presidente desta associação, registada em Hamburgo, garantiu que a comunidade "tem crescido".

"Antigamente a maioria dos cabo-verdianos eram marinheiros que vinham para cá trabalhar. Vieram, tiveram filhos aqui e a associação vai aumentando", revelou.

O chefe de Estado cabo-verdiano iniciou na sexta-feira uma visita à Alemanha que termina na próxima segunda-feira.

Hoje, Jorge Carlos Fonseca encontrou-se com a comunidade cabo-verdiana na Universidade Técnica de Hamburgo, local onde Dânia Leal tirou o curso.

A jovem, da ilha de Santiago, com 33 anos, lamentou que nem todos tenham a mesma sorte.

"Nem todos conseguem uma vaga universitária para sair do país, mesmo os jovens que estudaram em Cabo Verde, acabam o curso e não têm onde trabalhar", confessou, salientando que muitos "acabam por cair na bebida".

A jovem cabo-verdiana mostrou esta preocupação ao Presidente da República que respondeu que o Governo "deve reforçar políticas ativas de emprego jovem, de formação profissional e técnica viradas para o trabalho".

"Essa deve ser a prioridade do executivo de Cabo Verde, é o desafio número um", frisou Jorge Carlos Fonseca.

"Ouvi que estão a fazer alguma coisa, mas concretamente não sei o que. Ainda não é satisfatório", destacou Dânia Leal, realçando que voltar para Cabo Verde é um forte desejo, apesar do mercado de trabalho na Alemanha oferecer "muito mais oportunidades".

Durante a iniciativa, o Presidente da República de Cabo Verde assistiu a uma dança, ouviu poemas, dialogou com a comunidade e até cantou "Sodade" de Cesária Évora.

No último dia da visita à Alemanha, na segunda-feira, o chefe de Estado de Cabo Verde irá reunir-se com o homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier.

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