As lições da Tonecas

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Uns sapatos para o Natal, pediu a Leonor ao pai, e este, durante meses, amealhou dia-a-dia para lhe satisfazer o desejo. Firmino Ferreira ganhava pouco, era um modesto empregado num armazém de vinhos no Ginjal, mas foi amealhando o que pôde para os sapatos da filha e, dias antes do Natal, 19 de Dezembro de 1938, chamou a mulher, deu-lhe o dinheiro, disse-lhe para ir com a Leonor às sapatarias da Baixa, na Lisboa da outra margem.

Na véspera desse dia, junto a Santa Apolónia, afundara-se um rebocador, o Sagres I, de 40 toneladas. E no próprio dia 19 outro acidente no Tejo: o rebocador Pátria, da Sociedade Ítalo-Portuguesa, abalroou a lancha a motor D. Elisa, da Cooperativa de Catraeiros do Porto de Lisboa, que fazia o percurso Belém-Porto Brandão com 30 passageiros a bordo, que não ganharam para o susto mas conseguiram ser levados até terra firme. No rio, de resto, havia memória de outros desastres, alguns bastante mais graves, como o ocorrido a 24 de Dezembro de 1886, quando o navio francês Ville de Victoria, que fazia escala em Lisboa com destino ao Brasil, sofreu o embate de um couraçado inglês, o Sultan, navio equipado com 38 canhões de várias toneladas e oito metralhadoras, que se soltou das amarras e andou perigosamente à deriva Tejo acima. O Ville de Victoria afundou-se em 10 minutos e, na confusão instalada entre os passageiros, muitos dos quais se encontravam já a dormir, a tragédia fez 35 vítimas, entre elas oito portugueses.

Tonecas era uma lancha, uma lancha a motor de 21 toneladas, construída no Seixal para a Empresa de Transportes Tejo, L.da, cujo sócio gerente, Adriano Garcia, tinha dois filhos, o António e o José, de modo que uma das embarcações ficou Tonecas e a outra, igualzinha à primeira, se chamou Zecas (na imprensa da época ainda houve quem confundisse a Zecas com outro nome, Manecas, mas não era verdade). Com capacidade para 285 passageiros, a Tonecas fazia o percurso entre o Cais das Colunas e Cacilhas, muitas vezes em carreiras a preços reduzidos, como aquela que, no final de segunda-feira, 19 de Dezembro de 1938, pelas 19 horas, saiu rumo à outra margem entre a fragata D. Fernando e a Caldeirinha do Arsenal, onde hoje passeiam turistas. Aos comandos estava mestre Emídio Olívio Lopes, por mestre Carlos Silva, o "Mata Oito", se encontrar de folga para baptizar um filho. Seguiam também na tripulação o maquinista António Diogo Figueiras e os marinheiros António Germano, o "Mano António" (ou "António Algarvio") e Fernando Cardoso, o "Marinha Grande". A bordo, pessoas de poucas posses, no máximo remediadas, empregados de comércio ou dos escritórios da Baixa, costureiras que tinham ido a Lisboa buscar ou entregar os seus lavores, soldados e operários, gente de 3.ª classe.

Ainda hoje não se sabe ao certo o que aconteceu. A Finalamarina, uma draga de sucção vinda da Cova do Vapor, onde tinha ido carregar areia para a construção do entreposto de Santa Apolónia, abalroou com violência a Tonecas. Durante anos, pensou-se que tinha sido a Tonecas que, ao virar a estibordo, suscitara o desastre, mas o jornalista Victor Aparício, numa aturada investigação ao sucedido (Tonecas - A Tragédia que Enlutou Almada, CM de Almada, 1988), sustentou tese contrária, argumentando que a vítima foi a Tonecas, que ainda tentou escapar ao embate da draga, mas sem êxito. Causada pelo choque, levantou-se uma grande onda de água e não tardou que a lancha se afundasse, à ré, erguendo a proa, para onde se refugiou grande quantidade de pessoas. Depois, o caos. A nuvem de fumo escapada da casa das máquinas impediu que muitos se orientassem, outros lançaram-se em desespero sobre as águas gélidas, morrendo afogados de frio. Ao fim de dois, três minutos, a Tonecas mergulhou por completo, levando consigo muitas pessoas presas no seu interior, entre elas António Germano, "Mano António", filho de pescadores de Olhão, cujo cadáver seria descoberto ainda agarrado aos comandos da embarcação.

Acorreram vários navios ao sinistro, chamados pelo marinheiro n.º 91, Alfredo da Silva, que estava em serviço no Arsenal da Marinha, e até um vaso de guerra sueco, o Gotlande, deu a sua ajuda aos trabalhos, apontando os holofotes para o local da tragédia, enviando vedetas para socorrer os náufragos. Nos salvamentos, destacou-se pela galhardia o Almadense, da Parceria de Vapores Lisbonenses, comandado por mestre Joaquim Petinga, bem como a marinhagem da fragata D. Fernando e o pessoal da Zecas, que logo disparou do Cais das Colunas para acudir ao irmão gémeo em apuros.

No Terreiro do Paço, um guarda fiscal de serviço deu o alarme e, logo depois, foi comunicar o ocorrido à esquadra de polícia mais próxima. Do Beato, da Ajuda, de Campo de Ourique, as corporações de Voluntários acudiram com prontidão. Alertou-se a Polícia Cívica, a Liga dos Hospitais e os Sapadores, liderados pelo capitão Marques. Os trabalhos seriam suspensos às 11 da noite, hora em que os homens da Polícia Marítima - o subchefe Fernandes e os agentes Serras e Moura, Ginja e Arnaldo - já tinham rastreado os salvados: três bilhas de leite, cobertores, botas e bonés, casacos de homem, uma caneta de tinta permanente, uma mala com medicamentos, uma pele de raposa, sobretudos e xailes, uma factura que no verso tinha anotado o número 45902 e o nome de Isaura Ferreira. E, num embrulho, uns sapatinhos de criança - eram para a Leonor, presente de Natal do pai.

Há dúvidas quanto ao número dos mortos e desaparecidos (o corpo de um deles, Fernando Cardoso, o "Marinha Grande", cobrador da Tonecas, só daria à costa um mês depois, na Praia da Assenta, Ericeira). Na época, disse-se que a lancha transportava cerca de 90 almas, mas as contas de Victor Aparício apontam para 82 passageiros, com 53 sobreviventes e 29 vítimas mortais, de que resultaram 35 órfãos e 10 viúvas, pelo menos. Durante a noite da tragédia, e sobretudo na manhã seguinte, logo de madrugada, acorreu a Cacilhas um mar de gente, vinda de Mutela, de Almada, do Pragal e depois de mais longe, Seixal, Paio Pires, Charneca da Caparica, Vale Figueira, até de Sesimbra e Setúbal, na ânsia de notícias sobre familiares ou amigos. No café Estrela do Sul, que ainda hoje existe, o correspondente de O Século afixou fotografias de feridos e sobreviventes internados em Lisboa, no Hospital de São José, para que se soubesse que estavam vivos. O presidente da Câmara de Almada, tenente-coronel António Baptista de Carvalho, convocou autoridades e colectividades e, na tarde de dia 20, reuniram-se, sob a presidência do governador civil do distrito, Dr. António Barreiros Cardoso, a directora do Asilo 28 de Maio, o juiz da comarca, o delegado do Ministério Público, o pároco de Almada, o comandante da GNR, os comandantes dos Voluntários de Cacilhas e de Almada, o delegado de saúde, o veterinário municipal, os presidentes de junta da região, representantes da Misericórdia, da lendária Incrível e da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense. O Dr. Carvalho Serra, dos Voluntários de Cacilhas, ofereceu 100 escudos, todo o dinheiro que a corporação poderia dispor no momento, sendo este o primeiro passo de uma subscrição pública que permitiu a construção de diversas casas para as famílias das vítimas, naquele que viria a ser conhecido por Bairro das Vítimas do Tonecas ou, para outros, Bairro das Viúvas do Tonecas. E foram muitas, de facto, as famílias desamparadas: a mulher e os sete filhos de Bernardino Daniel, sapateiro e clarinetista amador na Incrível; os seis filhos de António Pedrosa, um descarregador de mar e terra, casado com uma operária da cortiça; os quatro filhos e a mãe epilética de Capitolina Lopes, uma mulher açoriana, peixeira, moradora nos Caranguejais; a mulher e as duas crianças de um comerciante da Cova da Piedade.

Como sempre sucede, houve imbecis de serviço, que se passearam pelo centro de Cacilhas contando histórias mirabolantes apenas para chamarem a atenção para as suas pessoas. E, também como sempre, a sorte e o acaso foram decisivos: Luísa Vitoriana dos Santos, "Emira Coração", casada com Guilherme Coração, sapateiro, poeta popular e fadista de fama, verificou não ter dinheiro na carteira no preciso instante em que ia entrar na embarcação fatídica e decidiu esperar pela próxima, onde a deixariam viajar à borla, salvando-se por um triz. João Rodrigues Mirco e esposa, por seu turno, perderam a Tonecas por questão de minutos e Francisco Bentes da Silva e António Pereira de Oliveira, quando iam a entrar para o barco, optaram no último instante por fazer uma patuscada em Lisboa, escapando assim ao desastre. O caso mais desconcertante, até com laivos de humor, aconteceu a João Fernandes, um homem de 56 anos que fora a Lisboa levantar certa importância ganha na lotaria. Com o dinheiro no bolso, sentindo-se rico, decidiu que nessa noite não iria pernoitar a casa, ainda que se desconheça, mas adivinhe, o poiso em que ficou. Na manhã seguinte, a sua esposa, D. Lívia, julgando-o morto na tragédia, foi até Cacilhas, mas, como ninguém o tinha avistado, regressou a casa desesperada, na camioneta de carreira, onde descobriu o marido, todo vivaz e contente, sentado no banco da frente.

O rol dos mortos e dos sobrevivos é quase um tratado de sociologia: um funcionário do Banco Espírito Santo, em Lisboa, que vinha a casa jantar para depois regressar ao banco, para serão nocturno; um polidor de móveis do Pragal, de 20 anos, que se salvou agarrando-se a duas bilhas de leite; Almerinda de Jesus, costureira, que fazia fatos de ganga para uma loja de Lisboa; António da Costa, tanoeiro, inscrito na Cooperativa de Tanoeiros de Almada; Boaventura Lourenço, ajudante da Farmácia Magalhães, que tinha ido a Lisboa buscar medicamentos; um popular comerciante da Cova da Piedade, António Hermógenes Ferreira, cuja filha completava nesse dia três anos; o barbeiro Cândido Cortez, da Barbearia Cortez, de seu tio, espanhol natural de Mérida; um soldado da Artilharia da Costa, Clarimundo Augusto, de 21 anos, que sobreviveu e se tornou exímio jogador de damas; Cláudio Gonçalves, empregado numa loja de ferragens da Rua dos Fanqueiros; Eugénio Castanheira, boletineiro-ciclista nos CTT da Praça do Comércio; José Ribeiro, figura popular em Almada, pois, além de relojoeiro no Ministério da Marinha, era guarda-redes do União Sport Club; José da Silva Costa, sindicalista da oposição, que já tinha estado preso no Aljube às ordens da PVDE; a aprendiza de costureira Natalina de Almeida; Plágio Moreira, de 14 anos, vendedor ambulante de bolos, com freguesia entre os operários das fábricas de cortiça; Viriato Pereira, que andava de burro a vender fruta e legumes nos velhos bairros de Lisboa e que, com a morte do burro, se tornou funileiro ambulante. E Leonor Filipe Ferreira, de 11 anos, cujos sapatos, novos e a estrear, seu pai foi buscar ao posto da Polícia Marítima.

Na burocracia do trágico, o comandante da Polícia Marítima abriu inquérito e elaborou relatório, que remeteu ao chefe de Departamento Marítimo do Centro, capitão-de-mar-e-guerra D. Carlos de Sousa Coutinho, que por sua vez o enviou à Direcção-Geral da Armada, para que aí se decidisse se o processo deveria ser julgado ora no tribunal marítimo, ora no criminal. Nem um nem outro alguma vez se pronunciaram sobre o que quer que fosse e o caso morreu ali, foi esquecido e nada mais se soube, apurou ou julgou. Os papéis arquivados acabariam por ir parar ao Instituto Hidrográfico, onde, ou não estivéssemos em Portugal, viriam a ser destruídos num incêndio ali ocorrido em Fevereiro de 1969. Jamais se apuraram responsabilidades e culpas e, pior do que isso, as vítimas ou os seus familiares nunca receberam quaisquer indemnizações, valendo-lhes tão-só esparsas acções de caridade, ocasionais e efémeras.

À distância de quase um século, talvez consigamos aprender-lhe a lição, ou lições da Tonecas, e ver melhor o que de essencial ocorreu nesse dia, algo que terá escapado aos que então viveram sob o clamor da tragédia e os gritos das viúvas. E ali, naquele acidente do Tejo, com uma trintena de vítimas, o que de essencial vemos hoje é, antes e acima de tudo, o povo pobre de um país pobre, então governado em ditadura, gente miúda e calada à qual não foi dado um cêntimo de ressarcimento, nem público nem privado. É certo que sempre haverá desastres como aquele, até com gente rica e poderosa, lembre-se o Titanic, mas poucos terão desfecho tão injusto e tão revoltante como este da Tonecas, pois se outras fossem as vítimas a bordo, mais abastadas e mais influentes, tudo seria diferente, mesmo no Portugal dos anos 30. Não se pense, porém, que foi coisa portuguesa e passada, própria de ditadura, pois ainda esta semana, enquanto milhões sofriam na Ucrânia, o Sr. Abramovich, um português nado e criado na sinagoga do Porto, fez deslizar impunemente dois dos seus iates, bem maiores do que a Tonecas, para águas turcas e turvas, mais aptas aos seus intentos. Caso tanto mais inexplicável e inconcebível quanto sobre ele impendem graves sanções, publicitadas com alarido, e que outros pilantras como ele já tiveram barcos aprisionados. Como pôde o majestoso Solaris sair tranquilamente de Barcelona, passar pelo Montenegro (que aceitou as sanções da UE), andar às voltas pelo Mediterrâneo e desaguar na Turquia? O que esperam as autoridades italianas para aprisionar o Xerazade, ancorado na Toscânia?

Perante um escândalo destes, e perante escândalos destes acumulados em décadas - os vistos gold e as offshores, as cumplicidades corruptas que levaram à dependência energética da Alemanha, os oligarcas instalados em Londres e na Riviera, as empresas ocidentais que agora arranjam desculpas esfarrapadas para se manterem na Rússia, a influência de Putin no Brexit, em Trump e em Bolsonaro, na extrema-direita europeia -, perante tudo isto, dizia-se, confrange e desespera que muita da nossa esquerda, dita ademais "radical", persista e teime no erro de atacar o "imperialismo" da NATO, a América liberal de Joe Biden, a Europa por fim unida. Não contente com a estupidez da votação no OE e com a sova apanhada das legislativas (o BE passou de 19 para 5 deputados, o PCP perdeu metade do grupo parlamentar), há muita esquerda que, por cegueira ideológica, atávico antiamericanismo ou fidelidades inconfessáveis, se esquece da compaixão pelos mais fracos, sejam as vítimas da Ucrânia, sejam os oprimidos da Rússia, e, com extrema desumanidade, parece mais apostada em fazer-nos esquecer o essencial que ora ocorre. E o essencial que ora ocorre é isto, só isto: a Rússia, uma ditadura, invadiu a Ucrânia, uma democracia, ou em vias de sê-lo. Não adianta lateralizar com "sim, mas a NATO..." ou lançar cortinas de fumo com os neonazis e o Batalhão Azov: no ranking da Freedom House, ainda há pouco publicado, a Rússia é definida como um "regime autoritário consolidado", com uma percentagem de democracia de 7% e uma percentagem de liberdades cívicas de 19%, ao nível do Burundi ou do Congo. Números aterradores. A Ucrânia, em contraste, é um "regime em transição para a democracia", com uma percentagem de democracia de 39% e uma percentagem de liberdades de 61%. Mais ainda, o relatório da Freedom House assinala - e especifica - as muitas "reformas positivas" verificadas no país desde a queda de Yanukovich, pró-russo, em 2014.

A Rússia é uma ditadura, a Ucrânia uma democracia. Zelensky não será um democrata perfeito, mas é milhões de vezes melhor que Putin (quem duvidar, um livro arrasador, O Novo Czar. A Ascensão e o Reinado de Vladimir Putin, de Steven Lee Myers, das Edições 70, onde está tudo: a barbárie das guerras, a destruição das liberdades, as trafulhices dos siloviki, o absoluto desprezo pelo povo comum, os assassinatos de jornalistas e opositores; em 2008, no Caso Magnitsky, chegou a julgar-se um morto, liquidado na prisão, chamando a mãe a depor, coisa nunca vista nem nos tempos de Estaline!). Ora, até pelo facto de a Ucrânia não ser uma democracia perfeita, longe disso, é que temos de a ajudar, para que não caia em derivas autoritárias e em vendettas sanguinárias, sobretudo no pós-guerra. Se nada fizermos, a breve trecho será enorme o ressentimento de Kiev contra nós, já havendo sinais disso em muitas intervenções de Zelensky. Há também risco de o antieuropeísmo alastrar às frágeis democracias do Leste, muitas das quais enamoradas de Putin (v. g., Bulgária). Em parte, é um rancor com razão: pusemo-nos à mercê do gás de Moscovo, deixámos a Ucrânia cair aos pedaços, agora a Alemanha militariza-se à pressa (decisão que compromete o ideal de uma política de defesa europeia comum) e ainda teimamos em não perceber que aquela guerra também é nossa, pois nela morre-se pela liberdade, o que implica fazermos sacrifícios no nosso modo de vida, coisa que não gostamos. Foi lamentável ver que no Ocidente consumista e comodista, passada a fase das manifestações de ternura, ao primeiro sinal de aperto logo se ergueram agricultores da França, camionistas, cidadãos agitados com os aumentos dos preços, intelectuais saudosos pelos ballets do Bolshoi.

A todos, pelos vistos, é preciso recordar o essencial: (1) a Rússia é uma ditadura, a Ucrânia uma democracia; (2) foi a Rússia que invadiu a Ucrânia, não a Ucrânia que invadiu a Rússia; (3) queiramos ou não, estamos em guerra, como nunca estivemos desde 1939-1945. O resto, os nazis Machados, a "paz" do PC, os generais bestiais (literalmente), são coisas que poderemos e deveremos discutir, mas que não são o essencial. Na Tonecas salvou-se quem teve a calma e o norte, talvez um pouco de sorte. Os outros foram ao fundo.


Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia.

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