Em anos e anos de Feira da Ladra, uma das recordações mais dolorosas que aí tive foi ver um dia, espalhado pelo chão, o espólio restante de uma das irmãs Meireles. Fotografias, álbuns de recortes, programas musicais, papelada vária, tudo esventrado, ao desbarato, sem que uma autoridade ou entidade da cultura tivesse o cuidado de deitar a mão, em devido tempo, àquele património todo, que bem mereceria ser guardado em arquivo histórico ou mostrado em museu condizente..O ano passado, no Rio de Janeiro, faleceu uma delas, Milita Meireles, nome artístico de Emília Augusta Meireles de Jesus, e do trio, ao que sei, resta apenas Rosária, ou Rosália. Hoje quase esquecidas, as lendárias irmãs Meireles, os "Rouxinóis de Portugal" ou "Rouxinóis d"Além Mar", além de vedetas maiores da canção portuguesa nos anos 40-50 (v.g., "Josezito", "Pardalito que Saltitas", "Bola ao Centro"), tiveram projecção enorme do lado de lá do Atlântico, num tempo em que as relações com o Brasil eram, a todos os níveis, mais pujantes, serenas e descomplexadas do que nos dias de hoje..As manas são evocadas num livro formidável acabado de sair, da autoria de Luís Trindade, Silêncio Aflito. A sociedade portuguesa através da música popular dos anos 40 aos anos 70 (Tinta-da-china, 2022), uma extraordinária digressão pela cultura popular de massas no Portugal do pós-guerra que destaca a influência poderosíssima exercida pelos Estados Unidos nesses anos, com o Plano Marshall, os filmes de Hollywood e a promessa de um mundo radioso, feito de bens de consumo que, dizia-se, iriam tornar a vida mais fácil e mais colorida, mais feliz em suma. Coisas que hoje temos por adquiridas e mais do que triviais, como colocar as compras num carrinho de supermercados, eram tidas por inovações extraordinárias e dignas de assombro: em 1961, um delicioso anúncio da marca de conservas de carne Aveirense falava de sacos de plástico e de "um sistema de vendas, tantas vezes divulgado nos filmes estrangeiros, e que consiste na utilização de cestos ou carros de transporte, nos quais se colocam os artigos escolhidos, sem intervenção de empregados, pagos, à saída, em caixas registadoras, e entregues aos clientes em sacos de fácil transporte"..Revistas extremamente populares como Século Ilustrado e Plateia espiolhavam à minúcia as atribuladas vidas amorosas e os frequentes divórcios das grandes estrelas de cinema, como Ava Gardner, Cary Grant ou Rita Hayworth, e acompanhavam, com discrição e distância, o caso Rossellini/Bergman, entre outros escândalos. A intimidade assim gerada com as vedetas de Hollywood, convertidas em pessoas "muito lá de casa" (J. Bénard da Costa), fazia com que as suas atitudes e os seus padrões de comportamento se tornassem, eles próprios, mais familiares e corriqueiros para todos..Se a censura e os bons costumes impunham uma condenação das liberalidades americanas (um artigo de 1950 do cineasta Augusto Fraga falava no "mal de Hollywood" e anotava, alarmado, que só em 1948 teria havido 264 mil divórcios nos EUA), as coisas começaram a mudar quando vedetas tidas como modelos de moralidade optaram também pelo divórcio. Um caso paradigmático foi o de Deborah Kerr, que ao fim de décadas de um matrimónio aparentemente sólido decidiu separar-se do marido e pôr fim a um casamento que, segundo ela, não a fazia feliz. Na imprensa portuguesa da época, o que antes fora descrito como um sacrilégio ímpio, era agora apresentado como uma opção razoável e aceitável, feita em nome de direitos que o próprio cinema popularizara, o direito à felicidade e ao amor. No imaginário colectivo, um casamento - qualquer casamento, não apenas o das estrelas da 7ª Arte - deixava aos poucos de ser entendido como a união eterna de duas pessoas para a satisfação de necessidades básicas de procriação ou de economia comum para passar a ser, ou dever ser, um espaço de realização mútua e de felicidade pessoal, consensual. A normalização do divórcio não foi apenas, como é óbvio, um produto de Hollywood: a melhoria das condições de vida no pós-guerra, o aumento dos padrões de bem-estar e de conforto material e a entrada das mulheres no mercado de trabalho impuseram transformações que, entre nós, só ocorreriam em boa parte após o 25 de Abril. As mudanças de mentalidades, porém, tinham ocorrido nas duas décadas anteriores, rompendo as barreiras da censura e do moralismo estadonovista, num movimento em que o imaginário de Hollywood e a cultura americana tiveram um papel fundamental (outro exemplo notável foi o da reconfiguração do lugar dos jovens, com a "juventude" a deixar de ser uma mera idade da vida para se converter num grupo social com aspirações e reivindicações próprias: por muito que custe aos franceses, o Maio de 68 muito deveu a James Dean e a West Side Story)..Em Irresistible Empire. America"s Advance through 20th-Century Europe (Harvard University Press, 2005), Victoria de Grazia descreve a profundidade da hegemonia alcançada pela "democracia comercial" norte-americana, e as resistências que isso gerou na Velha Europa, levando até àquilo que Jean-François Revel definiu um dia como uma "obsessão antiamericana". Sartre chegou a afirmar que "os americanos são fenomenalmente estúpidos", uma das muitas frases estupidamente fenomenais (e xenófobas) que proferiu na vida. No mesmo registo, um diplomata inglês snobe, referindo-se à modernidade dos Estados Unidos, observou com desdém que "uma coisa é canalização, outra civilização"..Sem dúvida, a América é uma nação carregada de problemas, das torturas de Abu Ghraib a Guantánamo, passando pelo fundamentalismo da direita religiosa, a pena de morte, o fosso crescente entre ricos e pobres, as desigualdades sociais e raciais gritantes, a violência policial e a pulsão das armas, os encarceramentos em massa. Mas, apesar de tudo isso, a América é, goste-se ou não, uma democracia robusta, uma terra de liberdade, uma federação de sucesso que, enterrada a Guerra Civil, conseguiu o módico de paz interna que lhe permitiu crescer económica, social e culturalmente até converter-se num império. A Rússia, um país imenso com gigantescos recursos naturais e humanos, falhou nesses planos todos: na democracia, na liberdade, na integração pacífica dos seus diversos territórios e várias nacionalidades..Reconhecer o êxito da América não significa fazer-lhe o louvor acrítico e, muito menos, desculpar-lhe os muitos defeitos. Contudo, antes de culparmos a América por tudo o que de mal ocorre no mundo, deveríamos pensar se nós, aqui na Europa, temos tido a atitude certa na defesa dos nossos próprios valores e interesses. Ao fim de poucos dias, a guerra da Ucrânia mostrou urbi et orbi que, durante anos, a Europa se colocou numa dupla dependência: dependência energética da Rússia, pois não cuidou de diversificar as suas fontes de abastecimento e de encontrar fontes de energia mais limpas e renováveis, e, por outro lado, dependência militar da América, pois não tratou de investir na sua própria defesa. Espantosamente, surgem agora vozes a contestar o "imperialismo" americano e o seu "domínio da NATO" quando foram os americanos que, ao longo de décadas, insistiram para que a Europa se defendesse melhor e de forma mais autónoma. Quer dizer, a Europa passou anos e anos a viver e a consumir à larga, com energia barata e sem gastar em armamento, e agora, no seu seio, alguns ainda têm o supremo desplante de se lamentarem do "imperialismo americano", o qual só existe porque assim deixámos e nos acomodámos, como nos acomodámos a um imperialismo bem pior ainda, o da China (em Portugal, não deixa de ser curioso que nos sintamos muito confortados por não dependermos do gás e do petróleo russos, isto quando vendemos a EDP e a REN aos chineses: no passado mês de Fevereiro, dias antes de a Rússia invadir a Ucrânia, a Three Gorges reforçou para mais de 20% a sua participação no capital da EDP e, desde 2012, a maior accionista da REN, com 25% do capital, é a State Grid, cujo presidente é o secretário do partido comunista na empresa)..Reconhecer a fragilidade em que a Europa se colocou não significa, de modo algum, resvalar num americanismo acéfalo, longe disso, pois, nas últimas décadas, os EUA cometeram três grandes erros, pelos quais o mundo ainda hoje paga e pagará muitíssimo. O primeiro, o maior de todos, ocorreu em Novembro de 1989, quando a administração Bush (pai) bloqueou um acordo internacional no qual 67 países se comprometiam a reduzir 20% das emissões de carbono até 2005, uma decisão desastrosa de já aqui falei ("Entre a catástrofe e o caos", Diário de Notícias, 22/1/2022) e que impediu que, quando ainda havia tempo, se tivesse evitado o cataclismo climático iminente. O segundo erro, também colossal e de grande alcance, com efeitos directos na crise de 2007-2008, consistiu na revogação, feita em 1999 pelo Presidente Clinton, do Glass-Steagall Act, a legislação aprovada por Roosevelt em 1933 no rescaldo do crash de 1929, e que regulava os mercados financeiros e a autofagia do capitalismo. O terceiro grande erro, também tremendo, foi a suposição de que a interdependência económica levaria à interdependência política, ou moral, e seria, por si só, um factor de paz e até, com sorte, de promoção da democracia e dos direitos humanos. Foi isso que levou os EUA, em Novembro de 1999, a assinarem um acordo com a China para a entrada desta na Organização Mundial de Comércio, ocorrida em Dezembro de 2001, ou seja, não muito depois dos ataques terroristas às Torres Gémeas (uma coincidência, é certo, mas com bastante simbolismo). A "globalização" não levou a democracia e os direitos humanos a Pequim ou a Moscovo e, pelo contrário, o que permitiu foi à China aproveitar-se da liberalização do comércio para vampirizar a ciência e a tecnologia ocidentais e, graças a vários dumpings (social, ambiental, etc.), afirmar-se como uma potência económica e comercial, mas também geoestratégica e militar: de 2008 até hoje, o investimento da China nas suas forças armadas tem subido em flecha e só para este ano prevê-se um aumento de 6,8%..Por outro lado, a ideia de que a "globalização" iria garantir a concórdia entre os povos acaba de ser desmentida há dias, com a invasão da Ucrânia pela Rússia (é preciso lembrar sempre isso: foi a Rússia que invadiu a Ucrânia, não a Ucrânia que invadiu a Rússia). Inebriado pela queda do Muro, o Ocidente optimista dos anos 1990 viveu na convicção ingénua da "Teoria dos Arcos Dourados", de Thomas Friedman, a ideia de que dois países com restaurantes McDonald"s nunca se iriam guerrear entre si, ou seja, de que os benefícios da integração económica são tais que dissuadem os líderes de optarem pela força das armas. Nas páginas do NY Times, Friedman já reconheceu que se enganou e, na verdade, o facto de existir um McDonald"s em Moscovo não inibiu Vladimir Putin de invadir a Ucrânia. O facto de a globalização não ter sido um elemento dissuasor, coloca outra questão, essa ainda mais grave e perturbante: será que outros elementos dissuasores em que até agora confiámos, como o arsenal atómico e a destruição mútua, também falharão no momento decisivo de carregar o botão da bomba?.Nos últimos tempos, tem-se falado muito noutro erro histórico da América, relacionado com as promessas de alargamento da NATO nos anos 1990. Disse-se, inclusivamente, que teria havido uma promessa feita a Gorbachev, pelo secretário de Estado James Baker, de que a NATO não iria expandir-se para Leste um centímetro que fosse ("not one inch"). Num livro acabado de sair, Not One Inch: America, Russia, and the Making of Post-Cold War Stalemate (Yale University Press, 2022), Mary Elise Sarotte infirma por completo essa ideia de que tenha existido um compromisso com Gorbachev, mas salienta que, na altura, vozes experientes e autorizadas como a de George Kennan, entre outros, disseram que a expansão da NATO era "o maior erro da política americana em todo o pós-Guerra Fria". Existiram, inclusive, projectos alternativos, como o da "Parceria para a Paz", que Clinton e Iéltsin chegaram a acarinhar, mas que foram olhados com relutância por dirigentes como Lech Walesa e Václav Havel e que acabariam por ser abandonados seja por razões de política interna norte-americana (o escândalo Lewinsky e a ameaça de impeachment desviaram as atenções de Clinton da política externa), seja por motivos de política interna russa (o golpe de 1993 e a invasão da Chechénia mostraram a fragilidade da democracia pós-soviética e causaram alarme nos antigos países do Pacto Varsóvia). Contudo, não foi apenas a América a desinteressar-se da "Parceria para a Paz" e de iniciativas congéneres, foi também a Rússia a alhear-se delas, apostada em novas aventuras bélicas. Interessa também lembrar um ponto muito esquecido: a adesão dos Estados bálticos à NATO foi feita a troca de várias concessões de vulto - a entrada da Rússia no G-7 - e a troco de muitos e muitos biliões de dólares enviados para Moscovo (que, como é óbvio, acabaram direitinhos nos bolsos de Iéltsine e dos seus oligarcas)..Ainda há dias, numa interessante entrevista ao Público (de 31/3/2022), o ex-MNE Luís Amado lamentou a displicência com que os governos ocidentais trataram as preocupações de segurança da Rússia, temerosa de ter a NATO às suas portas, se acaso se desse a entrada da Ucrânia e da Geórgia na Aliança Atlântica. Porém, reconhecer a displicência do passado não é, nem pode ser, reconhecer que a Rússia terá agido em legítima defesa ao invadir a Ucrânia. É que, por muito legítimas que sejam as suas preocupações de segurança com uma Ucrânia na NATO, elas jamais justificam o recurso à força, sendo curioso ademais que tanto falem da NATO e tão pouco de Vladimir Putin, de quem é ele, do que tem feito em décadas de autocracia. O filósofo Slavoj Žizek, insuspeito de simpatias direitistas, já comparou a invasão da Ucrânia pela Rússia a um caso de violação ("Was Russia"s "rape" of Ukraine inevitable?", Theory Reader, 25/2/2022). Na verdade, se tentarmos "compreender" a invasão da Ucrânia pelo facto de a Rússia se sentir "ameaçada", seremos iguais àqueles que, nas situações de assédio, de crimes sexuais ou de violência doméstica, acabam sempre a culpar a vítima por andar de minissaia ou a explicar tudo pelo mau feitio do marido e pelos copos do agressor. O que há de implícito na "explicação NATO" para a presente guerra, no fundo, é isto: a Rússia é uma nação com maus vinhos e péssimos fígados, um urso que se sentiu acossado pela NATO e que, como tal, naturalmente, reagiu mordendo. Ora, se a Rússia terá motivos para recear a Ucrânia, também a Ucrânia tem muitos e bem maiores motivos para temer a Rússia, razões até mais fundadas, pois se virmos o histórico de uma e da outra é sempre Moscovo quem agride e ameaça, não o contrário..Foi assim na Crimeia, foi assim no Donbass, é assim que está a ser agora, até com suspeitas fundadas de atrocidades bárbaras (impressiona que, mesmo perante os 300 mortos de Bucha, os nossos generais e comentadores pró-Putin não se demovam nem se comovam, não mostrem um pingo de humanidade e compaixão pelas vítimas, e continuem a insistir até ao fim nas suas descaradas mentiras. Porquê? Porque são, ou querem ser, "intelectuais", e um profissional do pensamento está sempre muito mais interessado em fazer valer o seu ponto, o vigor do seu argumento, do que na sorte dos outros seres humanos. E as televisões, porque mantêm aqueles aldrabões nos écrans, com tantas mentiras sucessivas? Não é por defesa do "pluralismo", não sejamos ingénuos, é porque às televisões só uma coisa interessa - as audiências -, o que mostra que as direcções das TV"s, à semelhança dos "intelectuais", também pouco se compadecem pelo destino dos seus semelhantes)..Pretender explicar a invasão da Ucrânia porque o Kremlin se sentiu ameaçado pela NATO é justificar o recurso à violência e legitimar a guerra. Aliás, não deixa de ser curioso observar a contradição flagrante de um discurso que, por um lado, se proclama "amante da paz" e, por outro, procura "compreender", desculpando-a, a agressão militar de um Estado soberano a outro. Mais ainda, e mais decisivamente: poderemos criticar muita coisa em Putin, mas nunca a falta de clareza; nas suas intervenções, nomeadamente no seu discurso-chave de 21 de Fevereiro, dias antes da invasão, Vladimir Putin não se limitou a atacar a NATO e a recordar os anos 90; foi mais longe, muito mais longe, e afirmou que "a Ucrânia moderna foi inteiramente criada pela Rússia, ou, mais precisamente, pela Rússia bolchevique e comunista". De um modo inequívoco, o ditador moscovita não legitimou a invasão apenas por causa da NATO e da ameaça do Ocidente, antes afirmou que a Ucrânia não tinha o direito a uma existência livre e soberana fora da órbita da Rússia (a Ucrânia "é uma parte inalienável da nossa história, cultura e espaço espiritual", acrescentou). Aliás, quem duvida que, se as coisas lhe tivessem corrido bem no terreno, a Rússia não iria até Kiev para "desnazificar" o governo e destituir Zelensky, matando-o ou capturando-o? Quem garante que não é isso que Putin ainda pretende fazer?.É aqui que bate o ponto: dizer que a Ucrânia não pode, se assim o quiser, integrar a NATO é afirmar que ela não tem um estatuto soberano, livre e independente igual ao de qualquer Estado, como Portugal ou Espanha, ou agora a Suécia e a Finlândia, que já deram sinais de quererem entrar na Aliança Atlântica, sem que ninguém as tenha questionado ou negado tal direito, soberano e inalienável. Mesmo que, no decurso das negociações, e para acalmar Moscovo, a Ucrânia acabe por desistir da ideia da NATO, isso significa que Kiev está a admitir, expressa ou implicitamente, a sua natureza de Estado semi-soberano, só em parte independente e senhor do seu destino. Existirão motivos pragmáticos ou de realismo político para uma tal opção, mas nunca razões de princípio e de são convívio entre povos e nações que, por partilharem fronteiras, têm responsabilidades acrescidas na manutenção da paz. Ceder à chantagem de Moscovo poderá ser sensato e aconselhável, poderá ser até a única solução para garantir um cessar-fogo e poupar mais sacrifícios, mas não é um bom precedente para a paz no mundo. Significa, no fundo, que um país está condenado pela sua geografia, pelo azar milenar de ter um vizinho agressivo e violento que não tolera a sua existência e a sua liberdade. Será isso justo e correcto? Trará isso a paz tão almejada e sonhada?.Uma coisa parece certa, indesmentível: a Europa não tem moralidade nenhuma, nenhuma, para exigir que a Ucrânia se sacrifique até ao limite, nem para impedir Zelensky de celebrar um acordo que, na sua perspectiva, salvaguarde melhor os interesses do seu país e do seu sofrido povo. Chegaremos então a uma curiosa solução, talvez estranha, talvez bizarra: como a Europa não tratou da sua defesa, será a Ucrânia a tratar dela, servindo de "tampão" ou "escudo" às ambições expansionistas de Moscovo. Bruxelas poderá dormir descansada. Quanto à América, irá vender energia e armas à sequiosa Europa e enquanto isso, a Oriente, o panda comerá o urso, predando-lhe os vastos recursos. Quem disse que este mundo é justo? Respondam as manas Meireles, outrora tão aclamadas, hoje mais que esquecidas.. Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia