As guerras dos presidentes. E será a Síria a de Trump?

Nenhum dos últimos cinco presidentes dos EUA conseguiu escapar à guerra durante o seu mandato. Alguns conflitos têm passado de uns para os outros.
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Guerra do Golfo - George H. W. Bush

Dois anos depois de George H. W. Bush chegar à presidência, em 1991 a União Soviética desaparecia, pondo um ponto final definitivo na Guerra Fria. Mas se essa foi apenas uma herança do trabalho feito pelo seu antecessor, Ronald Reagan, a Guerra do Golfo foi o conflito que marcou o único mandato do ex-diretor da CIA e ele próprio veterano da II Guerra Mundial.

A 17 de janeiro de 1991 os EUA, liderando uma coligação de 35 países e com aprovação da ONU, lançavam a Operação Tempestade do Deserto para forçar as tropas iraquianas a retirarem do Koweit. Em agosto do ano anterior Saddam Hussein ordenara a ocupação do pequeno emirado vizinho.

Depois de uma intensa campanha aérea, as forças da coligação não precisaram de mais do que uns dias para derrotar o exército iraquiano, mal preparado, no solo. Numa guerra transmitida pela primeira vez em direto para o mundo, sobretudo pela CNN, ficaram nas memórias as imagens dos poços de petróleo do Koweit a arder, após terem sido incendiados pelos iraquianos. Cem horas depois do início da campanha no solo, Bush anunciava o fim das hostilidades e a libertação do Koweit. A guerra acabava mas Saddam continuava no poder. E os americanos haviam de voltar.

Bósnia e Kosovo - Bill Clinton

Desde a declaração de independência da Bósnia e Herzegovina em 1992 que o país se tornara palco de confrontos entre sérvios bósnios, defensores da continuação na Jugoslávia, e muçulmanos bósnios e croatas. Em 1995, os EUA e os aliados da NATO, patrocinadores de uma aliança entre os muçulmanos e os croatas, lançam um ataque às forças sérvias que se revelaria essencial para pôr fim ao conflito, o que aconteceria através dos acordos de Dayton, negociados naquela pequena cidade do Ohio.

Mas o problema de Bill Clinton com os Balcãs não estava ainda resolvido. E em 1999, os EUA e os parceiros da NATO voltaram a intervir na região, com bombardeamentos a Belgrado, desta vez com o pretexto de proteger a maioria albanesa no Kosovo, província da Sérvia, dos ataques da pequena Jugoslávia que Slobodan Milosevic liderava. Hoje o Kosovo é reconhecido como independente por uma maioria dos países da União Europeia e é a minoria Sérvia que se sente ameaçada.

Afeganistão e Iraque - George W. Bush

Na sequência dos atentados de 11 de Setembro, a 7 de outubro de 2001, menos de um mês após os ataques que fizeram quase três mil mortos nos EUA, a América apoiada pela ONU e por uma coligação internacional, lançara a operação Liberdade Duradoura. O objetivo era derrubar o regime dos talibãs, que recusaram entregar Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda e cérebro do 11 de Setembro aos EUA. Os talibãs caíram, mas as tropas americanas não conseguiram encontrar Bin Laden e a maior parte da liderança do grupo radical islamita conseguiu fugir para o vizinho Paquistão através das montanhas, tendo regressado anos mais tarde.

Se o mundo esteve com a América no Afeganistão, unindo-se à guerra ao terror de Bush, o mesmo não aconteceu em 2003 quando o presidente americano insistiu em invadir o Iraque, para desarmar Saddam Hussein, que acusava de ter armas de destruição maciça. Foi portanto sem mandato da ONU mas com apoio dos britânicos que a 20 de março de 2003 os americanos lançaram a operação Liberdade do Iraque. Os principais combates duraram 21 dias e a 1 de maio, numa visita surpresa às tropas, Bush anunciava "missão cumprida" a partir do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Saddam Hussein era encontrado num buraco junto à sua Tikrit natal a 13 de dezembro de 2003 e seria executado três anos depois. Mas a guerra estava longe do fim.

Bin Laden - Barack Obama

Foi a George W. Bush que ficou associada a guerra ao terror, mas seria o seu sucessor na Casa Branca, Barack Obama, a conseguir o que o texano tanto desejava: apanhar e matar Bin Laden em 2011. Obama herdou duas guerras inacabadas (Iraque e Afeganistão) quando chegou ao poder e sempre deixou claro que não queria ficar associado a nenhum conflito, incluindo o da Síria, iniciado em 2011. Depois do ataque químico de 2013 em Ghouta, os EUA ameaçaram ripostar militarmente contra o regime de Assad, mas, após intervenção russa, aceitaram não agir desde que Damasco entregasse todas as armas químicas.

Um dos grandes momentos da presidência Obama, registado para sempre através de uma fotografia da Administração a olhar para um ecrã na Situation Room tirada por Pete Souza, foi a captura e morte de Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão. O líder da Al-Qaeda foi abatido a 2 de maio de 2011 por uma equipa de SEALS.

Síria - Donald Trump

Tal como Obama Trump herdou o Afeganistão e o Iraque ainda por resolver quando chegou à Casa Branca em janeiro de 2017. Aumentou o número de tropas no primeiro, manteve a presença militar no segundo. Mas é na Síria que está a ter a sua primeira guerra. Depois de um primeiro ataque muito limitado em 2017, ainda há umas semanas o presidente dizia querer retirar os dois mil homens que os EUA tinham em solo sírio. Mas esta madrugada mandou, com apoio de França e Reino Unido, bombardear locais onde o regime sírio guardará armas químicas. Por enquanto um ataque limitado, mas que já faz da Síria a guerra de Trump. Um conflito em que a presença da Rússia do outro lado, em apoio a Assad, deixa o mundo a recear que se possa transformar numa guerra mundial.

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