O livro do jornalista Óscar Herradón, "A Ordem Negra. O Exército Pagão do III Reich" (tradução à letra do título original em espanhol), explica como centenas de médicos obedeceram às ordens de Adolf Hitler não só na perseguição pela raça perfeita, mas também em experiências com objetivo de ajudar depois os soldados alemães na II Guerra Mundial..Se Josef Mengele, apelidado de "anjo da morte", é um dos nomes mais conhecidos sobre as experiências médicas feitas durante o domínio de Hitler, Herradón revela outros nomes, ainda que muitos mais participaram em atrocidades relatadas no livro, sem que se conheça as suas identidades..Ao ABC, Óscar Herradón, explicou os temas que aborda no seu livro. Um dos exemplos é a procura pela "cura" da homossexualidade. Inicialmente, nos campos de concentração, as mulheres eram beneficiadas se convertessem um homossexual em heterossexual. Mas outra das formas pensada era mesmo a castração..Também a eutanásia, ou "morte por compaixão", se tornou, segundo Herradón, pratica comum dos nazis. Pessoas com deficiências, problemas mentais, ou outros problemas considerados prejudiciais para a criação da raça perfeita eram vítimas de eutanásia. Milhares de pessoas morreram, incluindo muitas crianças, pois se ao nascer tinham algum tipo de mal formação ou doença mental, os pais eram aconselhados a deixar matar os filhos. Esta prática começou ainda antes da II Guerra Mundial e foi depois utilizada nos campos de concentração..Entre várias experiências estavam testes (sempre com seres humanos) para saber o quanto um corpo aguentava a pressão do ar, para perceber como se poderia ajudar os paraquedistas alemães; colocavam homens em água gelada durante horas (às vezes até 14) e depois tentavam reanimá-los, sendo que uma das formas era colocar duas mulheres nuas ao pé do homem para testar se o desejo sexual ajudaria o corpo a recuperar a temperatura. A conclusão foi que se deveria colocar o corpo em água a 40 graus, algo que já era conhecido desde o século XIX..Milhares de pessoas foram esterilizadas em nome da "limpeza racial"; 40 judeus morreram ao serem feitos testes para tornar a água salgada em potável (mais uma vez sem resultados); e a morte foi também o que aconteceu às jovens (que não podiam ter mais de 20 anos) que serviram de cobaias para testar medicamentos e até operações como transplante de órgãos.